04/06/2026
Romance Drama

Titanic - 25 Anos

Em abril de 1912, o Titanic, navio luxuoso e tido como "inafundável", parte da Europa rumo a Nova York. A bordo, a luta de classes é desafiada pelo romance improvável entre Jack Dawson, um passageiro pobre, que ganhou a passagem no jogo, e a aristocrata Rose DeWitt - que está noiva de um ricaço mas não resiste ao fascínio do jovem Jack. Um iceberg no caminho do navio muda os destinos.

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Cada geração tem seu romance icônico. Nos anos 1930 e 1940, E o Vento Levou…, nos anos 1970, Love Story, nos anos 1990, Titanic.
 
25 anos depois de seu lançamento, a curiosidade no relançamento do filme de James Cameron é verificar se o impacto continua intacto, resistindo ao tempo e capaz de afetar da mesma forma novas gerações que não tiveram a chance de assisti-lo em salas de cinema. Esses e os saudosistas terão à disposição uma versão remasterizada em 3D HDR que, vista numa sala IMAX, especialmente, confere à produção um impacto ainda maior na impressionante e longa sequência do naufrágio, que ocupa cerca de 1 hora do filme. 
 
O som e a fúria das águas arrebentando as paredes do navio tido como “inafundável” redobram sua força com a inovação, assim como todo o requinte técnico original da superprodução. Por conta disso, o orçamento chegou à casa dos US$ 200 milhões, tendo em vista a reconstituição do luxuoso navio em suas instalações, móveis, casa das máquinas e decorações, além dos figurinos da época. Tudo sem dispensar uma cuidadosa pesquisa e também a construção de um estúdio, no México, de um navio em escala real, além da criação de um tanque com capacidade de 70 milhões de galões de água, adicionando-se ainda o recurso à computação gráfica de última geração.
 
Mas, de qualquer modo, trata-se do mesmo filme, que alia os componentes de produção de época, romance, luta de classes e filme-catástrofe, em torno de Leonardo Di Caprio e Kate Winslet jovenzinhos, vivendo Jack e Rose, o romance impossível que apimenta a trama. Eles são, como se recorda, dois dos poucos personagens fictícios do enredo, ao lado do noivo vilão dela, Caledon Hockley (Billy Zane), e seu brucutu guarda-costas (David Warner), caricatos como malvados de história em quadrinhos. Nada disso tira, é verdade, a graça e o carisma da dupla principal, envolvente em sua energia e paixão, desafiando as estreitas convenções sociais de 1912, que não permitiam a paixão entre uma aristocrata, ainda que falida, e um zé-ninguém, ainda que dotado de enorme talento, no caso, para a pintura.
 
São verídicos, por outro lado, diversos outros personagens, como a milionária Molly Brown (Kathy Bates), o arquiteto do navio, Thomas Andrews (Victor Garber) e o proprietário do barco, Bruce Ismay (Jonathan Hyde) – que escapou covardemente num dos insuficientes botes salva-vidas, onde deveriam ter embarcado apenas mulheres e crianças. Mil e quinhentas pessoas morreram nas águas geladas do Atlântico Norte na madrugada de 14 para 15 de abril de 1912, por conta de não existirem suficientes salva-vidas a bordo - uma cena que constitui uma das melhores e mais dramáticas reencenações do filme de Cameron e dá a medida da tragédia. 
 
Curiosamente, o “núcleo atual” da história, que introduz a trama de 1912, referente ao caçador de tesouros Brock Lovett (Bill Paxton), em busca de um valioso diamante perdido no naufrágio, é que parece, visualmente pelo menos, mais datado. Nada que comprometa tanto assim, afinal, é preciso um pretexto para retornar ao passado e trazer de volta ao palco da tragédia uma testemunha ocular: a mesma Rose DeWitt, tantos anos depois, vivida por Gloria Stewart, fechando um dos capítulos mais emocionantes de uma longa vida. O relato dela para Brock e a tripulação de caçadores de tesouros resulta, afinal, numa homenagem ao fascínio encantatório das histórias bem-contadas.
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