04/06/2026
Drama

Till - A busca por justiça

Visitando parentes no Mississipi, o garoto Emmett Till faz um elogio a uma mulher branca, que se sente ofendida. O rapaz acaba linchado, morto e seu corpo é jogado num rio. Sua mãe, Mamie Till-Mobley, fará de tudo para que os culpados sejam punidos pelo crime.

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Emmet Till empresta seu nome ao Ato Antilinchamento, promulgado em 2022, ou seja 67 anos após sua morte em Money, no Mississipi, onde visitava parentes. Till, o longa dirigido por Chinonye Chukwu, resgata sua história e a de sua mãe, Mamie Till-Mobley, que se tornou uma voz ativa contra o racismo nos EUA e cujos atos desencadearam o Movimento pelos Direitos Civis, no final dos anos de 1950.
 
Chukwu tem uma história poderosa em suas mãos, que ela conta ao modo clássico, sem invencionismos ou malabarismos visuais, talvez exatamente para não distrair. Ao mesmo tempo, o filme, às vezes, padece de falta de um respiro, de um frescor. Nada disso, no entanto, impede que Danielle Deadwyler tenha uma performance impressionante como Mamie em sua luta por justiça, desde o início fadada a esbarrar no racismo do sul dos EUA.
 
Mamie, cujo marido morreu na Segunda Guerra em combate, vive com o filho adolescente Emmet (Jalyn Hall, uma presença sorridente e marcante) em Chicago, onde o racismo, ainda que existente, é em bem menor escala do que no sul do país. Ela trabalha, tem um namorado, Gene Mobley (Sean Patrick Thomas), que trata Emmet como um filho. Enfim, ela é uma mulher feliz, mas nada ativa nos movimentos negros.
 
Sua transformação, que se dará apenas na reta final do longa, acontece quando Emmet, cujo apelido é Bo, é linchado até a morte e jogado num rio, no Mississippi. Antes mesmo desta viagem, ela já está preocupada com o filho, criado num ambiente urbano onde a população negra transita nas ruas sem restrições. A pequena comunidade rural de Money, ao contrário, é marcada pela segregação assumida e ostensiva, o que o rapaz não entende.
 
Num bar, enquanto compra balas, ele diz à dona, Carolyn Bryant (Haley Bennett), que ela é linda, parece uma estrela de cinema e assobia. Apenas isso é o que causará sua morte. Ela se sente ofendida, ameaça-o com uma arma mas, com os primos e amigos, ele consegue fugir. Porém, à noite, o marido dela, Roy (Sean Michael Weber), e o irmão, JW Milam (Eric Whitten), acham o garoto, ameaçam a família do tio (John Douglas Thompson) que o hospeda e somem com ele.
 
Começa aí a via crucis de Mamie. A primeira notícia é que Bo desapareceu. Seus pais, Alma (Whoopi Goldberg) e John (Frankie Faison), impedem que ela vá a Money, seria perigoso para ela. A notícia que virá é de que o corpo do rapaz foi encontrado num rio. Só depois de alguma negociação, ela consegue o translado do corpo do menino - e o que ela vê é impressionante.
 
Till é um filme cuidadoso e respeitoso com a memória das pessoas reais, vítimas de um crime racista, mas é inevitável que Chukwu mostre o impressionante corpo deformado de Bo. Momentos reais são recriados, como a foto para a qual Mamie e Gene posaram no necrotério ao lado do menino, e o funeral, assim como o julgamento.
 
O luto dessa mulher tornou-se um símbolo nacional, uma luta de todo um povo que sofreu e sofre racismo até hoje. A placa instalada no local onde o corpo de Bo foi encontrado foi alvo de tantos tiros que, em 2019, teve de ser substituída por um material à prova de balas. Para além das comunidades negras, sua história também não é conhecida. Nem faz parte dos programas de história nas escolas dos EUA. Além disso, anos atrás, numa entrevista, Poucos anos atrás, Carolyn admitiu que possa ter mentido e exagerado no depoimento. Por isso, um filme como o de Chukwu, mesmo com suas limitações cinematográficas, torna-se tão necessário em tempos como o presente.
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