23/07/2026
Documentário

Um samurai em São Paulo

Aluno do mestre de caratê Masatoshi Nakayama, Taketo Okuda torna-se seu discípulo. Radicando-se em S. Paulo na década de 1970, ele se torna uma referência na formação de praticantes e campeões até sua morte, em fevereiro de 2022.

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O documentário de Débora Mamber Czeresnia traça não só um perfil do mestre de caratê japonês Taketo Okuda, seu professor por décadas, como cria uma perspectiva sobre os contatos inusitados que ocorrem como resultados de guerras e diásporas. Não fosse a II Guerra Mundial, dificilmente teria acontecido em São Paulo o encontro entre o professor japonês e a aluna descendente de poloneses judeus, sobreviventes do Holocausto. Ao longo de sua convivência com Okuda, a cineasta encontraria outros pontos de simetria entre suas trajetórias. 
 
Nascido no Japão imperialista, Taketo passou a infância sob a influência de um ambiente marcado pela guerra, guardando ainda memórias de bombardeios. Discípulo do mestre Masatoshi Nakayama, abraçou o caratê, tornando-se faixa preta. Uma missão de difundir a arte marcial o esperava e ele devia escolher entre a Austrália e o Brasil. Na década de 1970, optou pelo Brasil, país que despertava seu imaginário e curiosidade. Aqui, em sua pequena e tradicional academia, no bairro paulistano de Pinheiros, ele formou diversas gerações de praticantes e campeões em competições.
 
A partir da década de 1980, Taketo abandona as competições, preocupando-se cada vez mais com a transcendência, também alimentada por suas leituras sobre xintoísmo, suas aulas de flauta e trilhas pela natureza. É nesse esquadro que Débora se filia à prática do caratê, numa procura de força e controle que passam por um profundo domínio de corpo e mente.
 
Narradora de seu documentário, sua estreia cinematográfica, Débora preenche algumas lacunas no perfil de seu mestre um tanto econômico nas palavras, retratando-o nas aulas e recorrendo também a materiais de arquivo. Assim, permite-se traçar uma linha que liga seu mestre a seus ancestrais poloneses, ambos marcados pelos traumas da II Guerra Mundial, culminando em seu próprio trajeto, que aproveita ambas as experiências num sentido de paz, convivência e tolerância mútua.

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