04/06/2026
Aventura Animação

Homem-Aranha - Através do Aranhaverso

Miles Morales e Gwen Stacy são um Homem-Aranha e Mulher-Aranha em universos diferentes, com histórias parecidas. O surgimento de um novo vilão, conhecido como Mancha, a levará ao mundo do amigo.

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Se a primeira animação do Aranhaverso, Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), era excelente, nada preparou para o que viria em seguida nesse novo filme, Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. Nunca houve uma adaptação de quadrinhos tão punk quanto essa, em sua forma e atitude. O segundo longa de uma trilogia não sofre da maldição de filho do meio. Pelo contrário, apesar do final em aberto, ele arma belamente a arena para uma conclusão épica, prevista para chegar aos cinemas no próximo ano.
 
Multiverso se tornou uma espécie de modinha do cinema atual – contando com o oscarizado Tudo ao mesmo tempo agora –, mas muitas vezes é mero artifício narrativo, sem encontrar coesão ou mesmo razão de existir. Não aqui. O roteiro de Phil Lord Christopher  MillerDave e Callaham é tão bem construído que a questão dos vários universos é inerente à narrativa.
 
O prólogo já joga o filme no campo da ação, com Gwen Stacy (dublada por Hailee Steinfeld), uma jovem mulher-aranha de um dos universos, entrando em conflito com seu pai, George (Shea Whigham). Os diretores Joaquim Dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson não perdem tempo, e já lançam o filme num furação de eventos, que levarão a jovem heroína mascarada a um QG, num outro plano, onde estão os homens-aranha mais descolados de todos os universos.
 
Embora o primeiro filme já trouxesse uma estética bastante ligada à dos quadrinhos, aqui isso é radicalizado e potencializado. Não fosse um filme com uma história muito bem construída, já seria impressionante por suas imagens com um colorido ora realista, ora estilizado, marcado por elementos formais típicos dos gibis – das imagens pontilhadas, com quadrinhos comentando a ação no canto da tela. É, possivelmente, a melhor comunhão entre cinema e HQ.
 
O outro protagonista do filme, como no original, é Miles Morales (Shameik Moore) adolescente afro-hispânico que acidentalmente foi picado por uma aranha mutante. É interessante como o filme materializa as crises de identidade da adolescência nessa figura, sua dificuldade em lidar com seus poderes, ter de esconder dos pais que é o Homem-Aranha, ou mesmo os problemas na escola – ele que estuda física na faculdade. São questões parecidas com os de Gwen – adolescente sem amigos, em conflito com o pai policial.
 
Não se deve dizer muito sobre os caminhos da narrativa de Homem-Aranha: Através do Aranhaverso porque é uma surpresa atrás da outra, e os rumos são inesperados. O vilão da vez, como ele mesmo odeia ser chamado, é o Mancha (Jason Schwartzman), o que obriga Gwen a vir para o universo de Miles, acabando por reencontrar o amigo. Depois isso, o filme praticamente enlouquece, adicionando novos personagens, novas camadas e universos. O humor ainda é um ponto alto também.
 
É impressionante que, ao contrário do que é comum nos filmes dos heróis mais adultos da Marvel, a trama aqui não é esquemática, fluindo muito bem, encontrando harmonia entre ação, piadas e drama – há uns momentos emotivos muito bem-vindos e sinceros. As lágrimas se vierem, serão merecidas. O único “problema” mesmo será esperar até o próximo ano para a conclusão dessa história – mas, pelo gancho final, a espera deverá valer a pena.
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