Uma combinação entre documentário, ensaio, performance e manifesto faz de Uýra - A Retomada da Floresta, de Juliana Curi, um filme de estranha beleza incomum – especialmente por suas imagens, na fotografia de Thiago Moraes. Peculiar é também a figura biografada aqui, Uýra Sodoma, uma artista trans indígena, que, por meio de sua arte, ensina a jovens indígenas sua importância como guardiões da floresta e a mensagem dos povos ancestrais.
Uýra Sodoma é uma criação do biólogo e artista plástico Emerson Munduruku, que, no documentário, resgata sua trajetória, assim como sua arte e seu trabalho, em especial nas comunidades ribeirinhas do Amazonas. De certa forma, o filme busca a intersecção entre o criador e sua criação, cuja maquiagem e adereços naturais resultam em imagens de beleza marcante.
Mas mais do que ir pelo caminho do exotismo, Curi busca a pessoa Emerson, que é descendente de indígenas da etnia Munduruku, formado em biologia e mestre em Ecologia, uma figura carismática e um ativista ao lado de outros colegas. Alternando depoimentos com performances, o filme, apesar de curto, dá um panorama interessante sobre quem ele é e o seu trabalho.
Uma questão, no entanto, que não fica clara no filme – e, no fundo, é um tanto intrigante. Com pouco mais de 60 minutos no total, o longa tem quase 15 minutos de créditos finais. Tendo em vista que, no meio, ele se torna um tanto repetitivo, talvez fosse o caso de o transformar num curta mesmo. Ou pesquisar mais material e questões não abordadas para expandi-lo um pouco mais. De qualquer forma, Uýra - A Retomada da Floresta tem bastante a dizer e mostrar.
