03/06/2026
Drama

A sala dos professores

A jovem professora teuto-polonesa Carla Nowak há pouco começou a dar aula à 6a série de uma escola alemã. Pequenos furtos têm ocorrido no estabelecimento, o que leva a que um aluno dela seja acusado. Para provar a inocência do menino, ela decide agir, mas a situação sai completamente de controle. Para aluguel e compra: na Apple TV(iTunes), Prime Video, Claro Tv+, Google Play, Microsoft Films & TV(Xbox). Só aluguel: Vivo Play.

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Indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, o alemão A Sala dos Professores se propõe a lidar com grandes temas da atualidade, um dilema ético e moral que a protagonista, uma jovem professora polonesa na Alemanha, enfrenta. Dirigido por Ilker Çatak, é um longa construído em torno de um acontecimento que vira uma bola de neve, e toca em questões como xenofobia e fake news. 

Carla Nowak (a excelente Leonie Benesch) é uma teuto-polonesa que há pouco começou a dar aula ao sexto ano de uma escola até que progressista. Uma situação recorrente, no entanto, atinge a todos. Pequenos roubos têm acontecido na instituição. O filme já começa com uma reunião de conselho de classe com professores e dois representantes discentes e termina com um aluno apontando numa lista o colega a quem ele suspeita que esteja roubando. 

Já nessa primeira cena, Çatak, que assina o roteiro com Johannes Duncker, exibe o mal-estar da professora e de toda situação. Narrativamente, tudo no filme é altamente controlado, o diretor aperta os botões certos, na hora certa e cria os efeitos desejados. Embora lide com questões urgentes, no entanto, não consegue escapar de uma certa artificialidade dos ditos filmes de tese, que apresentam uma ideia e tentam prová-la a todo custo, ou seja, já chegam com uma conclusão pronta e o caminho tomado será aquele que irá confirmar sua conclusão. Ao contrário de uma narrativa mais orgânica que constrói seu ponto de chegada ao longo da narrativa. 

E qual seria, então, a tese de Çatak? Possivelmente, a de que vivemos numa sociedade que nos corrompe, por melhor que sejam nossas intenções. Não somos capazes de escapar das determinações sociais; o mundo, segundo o filme, é estático, ou, indo mais além, a Alemanha jamais superará seu passado nazista – sem prejuízo do fato de que algumas colocações fazem realmente sentido. É curioso, por exemplo, que o garoto que acusa o colega é o menino mais loiro da sala, Lukas (Oscar Zickur), formada por uma turma bastante diversa. 

Quando a acusação recai sobre Ali (Can Rodenbostel), Carla toma como sua obrigação provar a inocência do menino. E, para tal, se valerá de um dispositivo, no mínimo, condenável: deixa seu laptop aberto, com a câmera discretamente aberta na sala dos professores, bem de frente para a cadeira onde está seu casaco com sua carteira. Não é surpresa que minutos depois, quando retorna ao local e assiste ao que filmou, vê um braço subtraindo dinheiro de sua carteira. Não é possível ver o rosto de quem o faz, mas a manga da camisa é inconfundível: pertence a uma funcionária da administração, Friederike Kuhn (Eva Löbau), que também é mãe de um dos melhores alunos de Carla, Oskar (Leonard Stettnisch).

É a partir de todo esse imbróglio que Çatak irá esmiúçar suas ideias sobre o estado das coisas na Europa contemporânea. O embate se dá entre Friederike Kuhn e a diretora da escola, Bettina Böhm (Anne-Kathrin Gummich), ansiosa para acabar com os roubos; entre os alunos de toda a escola e Carla; e entre Carla e a sociedade.  A professora percebe que, primeiramente, o que fez foi errado, invadiu a privacidade da sala dos professores, e, segundo, trará consequências emocionais a ela também. 

A sala dos professores não sabe muito bem lidar com as próprias questões que cria na narrativa.  A linha entre o dito certo e errado é muito tênue, conforme mostra o filme, e tudo depende do ponto de vista. A todo momento, Çatak gira o ponto de vista, embora raramente o filme se descole do olhar da professora, e, menos ainda, saia daquele microcosmo da escola. É um longa que, claramente, sabe onde quer chegar, embora nem sempre saiba qual caminho seguir. 

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