04/06/2026
Drama

A alegria é a prova dos nove

Jarda Ícone, artista, sexóloga e roqueira octogenária, como se define, é uma mulher liberta das amarras, mas ainda há algo de seu passado que precisa resolver: as memórias de uma viagem que fez nos anos de 1970 com um amigo ao Marrocos.

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Uma das maiores atrizes brasileiras, Helena Ignez se revelou também, há alguns anos, uma excelente cineasta. Em seu cinema, sempre ao centro, questões femininas e feministas, além de apurado senso estético e carinho pelos personagens. Em seu novo trabalho ela está à frente e atrás da câmera. 

A alegria é a prova dos nove é, acima de tudo, um filme sobre sua geração, sobre como as utopias e os utópicos da década de 1960 chegaram ao século XXI, num momento de profundo niilismo e obscurantismo político, cultural e ideológico. 

Helena, além de assinar o roteiro, interpreta a protagonista no presente, Jarda Ícone, uma mulher, como diz o nome, icônica, inspirada na sexóloga estadunidense Betty Dodson, que morreu aos 91 anos, em 2020. Jarda é uma mulher livre e forte, mas marcas do passado ainda estão em sua vida, irresolvidas. 

Ao lado do amigo Lírio Terron, interpretado por Ney Matogrosso, ela lembra de uma viagem ao Marrocos Saariano, que ambos fizeram décadas atrás, quando um fato marcou sua vida. Nos flashbacks, a personagem é interpretada por Djin Sganzerla, filha de Helena e do cineasta Rogério Sganzerla.

A alegria é a prova dos nove é um filme sobre o Brasil contemporâneo pelo olhar da geração do desbunde. E, nesse sentido, é um filme de memórias tanto para Helena quando Ney Matogrosso, com quem ela já fez vários filmes, entre eles, Luz Nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha

O resultado é um experimento sensorial, repleto de cores, texturas e questionamentos sobre a arte e o estado das coisas, e especialmente sobre a posição da mulher na sociedade brasileira. As décadas de silenciamento de Jarda são, de certa forma, uma metáfora para o silenciamento de mulheres vítimas de diversos tipos de violência que só agora encontram o caminho para trazer seus traumas à tona, e assim levar a sociedade como um todo a também lidar com a violência de gênero. E, mais uma vez, como Jarda, Helena é um ícone. 

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