03/06/2026
Drama

De pai para filho

José teve pouco contato com o pai, e, depois da morte deste, recebe um apartamento de herança. Enquanto está no imóvel recebe a visita do pai morto. Ao mesmo tempo, a vizinha, uma jovem viúva, tenta refazer sua vida e se aproxima dele, assim como sua filha pré-adolescente.

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Os 123 minutos de De pai para filho não são exatamente o único problema do filme, mas um indício do caos que é o longa dirigido por Paulo Halm. Não há a menor justificativa para essa duração, e acaba jogando contra, pois as cenas se prolongam, as tramas se esticam até perder o rumo. Uma montagem mais enxuta trabalharia mais a favor aqui. 

O roteiro, assinado por Halm, Renata Corrêa e Cláudia Saldanha, tem como protagonista José (Juan Paiva), que é avisado da morte do pai, Machado (Marco Ricca), um ex-roqueiro com quem não tinha contato. Ele vai do interior de São Paulo, onde mora, para o Rio, encontrar o advogado e fica sabendo que tem uma herança: o pequeno apartamento onde o pai morava, com tudo dentro, inclusive um piano valioso. 

Por ter sido criado apenas pela mãe, sem contato com o pai, José se recusa a aceitar o apartamento, mas o advogado explica que recusar uma herança é muito trabalhoso, e sugere que venda o imóvel e doe o dinheiro para uma instituição. Enquanto procura um comprador, o protagonista passa a morar no apartamento. 

O filme busca um sentido de reconciliação, com um toque fantástico nas visitas que José recebe do pai, com quem discute as mágoas do passado. Machado teve uma banda de rock de sucesso, mas morreu esquecido. Se a obra da banda fictícia Capa Preta foi igual à música deles que toca no filme, não foi por acaso que foram esquecidos. 

Apesar do título, o filme também quer falar de mãe e filha, e essa relação se dá com a personagem de Miá Mello, Dina, e Kat (Valentina Vieira, a melhor atuação no filme), pré-adolescente que foi aluna de piano de Machado e vive um momento delicado com a mãe, que ficou viúva há pouco tempo.

É um filme repleto de boas intenções, disposto a discutir assuntos como racismo, alienação paternal, liberdade feminina, homofobia e muitas outras coisas. E esse é o problema, quer falar de coisas demais e cai na vala comum de não falar de nada. Tudo é superficial e caricato – especialmente um casal homoafetivo que chega na reta final do longa, que parece saído de um humorístico homofóbico dos anos 90, numa caracterização exagerada, ridicularizadora mesmo. Em sua enorme vontade de, digamos, militar, De pai para filho não consegue fazer nada de positivo ou construtivo. 

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