Construído no século XVII, no local onde funcionava uma fábrica de pólvora, o Hospital da Salpêtrière serviu de hospício e prisão para mulheres consideradas doentes mentais (todas eram chamadas de histéricas) e, também, para prostitutas. Como outro filme recente (O Baile das Loucas), Baile das Loucas, se passa no final do século XIX, e tem o local como cenário, trazendo como protagonista Fanni (Mélanie Thierry), uma jovem que se interna voluntariamente, pois tenta encontrar sua mãe que está presa ali.
Dirigido por Arnaud des Pallières, o filme acompanha Fanni em sua jornada, culminando no famoso Baile das Loucas, um evento que leva à instituição personalidades, políticos e pessoas ricas para assistir, como a um baile de carnaval, as internas dançando e interagindo umas com as outras.
O roteiro, assinado pelo diretor e Christelle Berthevas, não explica ao certo como Fanni foi admitida ali ou se havia outra forma de procurar sua mãe, que foi internada quando a protagonista ainda era uma criança. Por outro lado, o filme apresenta a história dessas mulheres presas àquele lugar como heroínas modernas, vítimas do patriarcado, que só veriam, novamente, a rua se se encaixassem nos padrões sociais de submissão feminina.
O elenco feminino é forte, e inclui as veteranas Carole Bouquet, Josiane Balasko e Yolande Moreau, além de Marina Föis e Dominique Frot. As atrizes são excelentes, mas nem sempre encontram personagens à altura de seu empenho. Talvez o excesso de personagens acabe tornando algumas menos complexas do que outras, ao tentar dar voz a todas elas, que, por anos, foram silenciadas. É um feito respeitável, mas, cinematograficamente, não funciona muito bem.
Claramente fruto de uma pesquisa séria, Baile das Loucas exagera também no quesito formal. A fotografia saturada é cansativa para os olhos, da mesma forma que, em muitos momentos, parece mais um defeito da projeção do que exatamente uma escolha estética do diretor.
