dos roteiristas.
No início da história, três mulheres modernas, solteiras e independentes, confessam, como o fazem semanalmente, suas últimas relações amorosas invariavelmente fracassadas. Tal como um jogo, a idéia do trio é saber quem, visto os relatos, é mais desafortunada. Afinal, apesar de bem-sucedidas, Kate (Andie MacDowell), Molly (Anna Chancellor) e Janine (Imelda Staunton) já sofrem com o peso da idade. Assombram-se com a idéia de que já ultrapassaram
os 40.
No entanto, as indicações de que O que Elas Querem seguirá o sucesso das produções conterrâneas não duram muito tempo. O filme toma rumos desconcertantes e difíceis de sustentar narrativamente logo após as geniais primeiras cenas. Simplesmente a história se perde na leviandade do roteiro e na surpreendente falta de perspicácia das personagens.
Tudo começa quando a má sorte de amores termina, pelo menos para uma delas, Kate, ao se envolver com um misterioso rapaz bem mais jovem, Jed (Kenny Doughty). A paixão dá lugar à insegurança de um relacionamento problemático (entenda-se aqui a diferença de idade). Por essa razão, Kate insiste em manter tudo em sigilo, até mesmo de suas amigas, que tomadas pelo rancor e inveja fazem de tudo para separar o casal.
A reprodução de um moralismo tosco de cidade provinciana que está acima de qualidades maiores, como a amizade e o respeito, só maculam a integridade dos envolvidos na história. Na linha de "os fins justificam os meios", o comportamento atroz e insensato de Molly e Janine traz prejuízos não apenas a Kate, mas também a todo o filme.
Não deixa de ser grave também o duvidoso tratamento de alguns valores humanos mais básicos, criando situações que beiram o mau gosto. A maioria carregada de lugares comuns machistas, que um olhar atento não pode deixar passar.
Como grande parte dos filmes do gênero, O que Elas Querem é também um tanto previsível. Mesmo quando o humor (tudo muito medido, tudo muito inglês) dá lugar ao melodrama, a história não engrena. O mesmo acontece aos demais personagens, como Gerald (Bill Paterson), o diácomo da escola de Kate, e a algumas situações adversas, como a viagem-relâmpago a Paris, que nada somam à trama.
Não deixa de ser triste que o talento, principalmente o de Andie MacDowell, seja desperdiçado por um roteiro simplório. Um trabalho mais minucioso faria do filme
um sucesso.
Cineweb-17/1/2003
