18/07/2026

Depois de perder os pais, o pequeno Elio vai morar com a tia, uma militar num programa espacial. Sentindo-se sozinho e incompreendido, ele sonha em ser abduzido e fazer amigos em outros planetas. Quando isso acontece, ele tem a chance de transformar sua vida. No Disney+.

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Elio, nova animação da Disney/Pixar, é um filme sobre solidão, seja do seu personagem-título, um garoto que perdeu os pais e vive com a tia, ou do próprio planeta Terra no universo, supostamente sem que existam outros habitados, mas com cientistas em busca de vida no espaço. E, como tantas produções do estúdio, começa muito bem, até se perder e tornar-se genérica. 

O visual, ao menos da primeira metade, no entanto, é imbatível. O espaço sideral, primeiramente desabitado, é vasto, marcado por pequenas estrelas cintilantes, nébulas e galáxias de cores e tons distintos, aproveitando muito bem as dimensões da tela do cinema e o uso do efeito 3D. Tudo isso é tão impressionante que, por alguns momentos, esquecemos a convencionalidade da história do menino Elio, que busca ressoar emocionalmente, algo à la ET – O Extraterrestre

Elio vive com a tia Olga, uma militar que trabalha numa base de projetos espaciais, mas sua função é bem simples: rastrear detritos nas proximidades da Terra e avisar os astronautas para onde desviar-se. E ela abriu mão de um programa de astronautas para cuidar do sobrinho. O menino, no entanto, tem outras aspirações. Sem amigos, e ainda lidando com seu luto, ele é solitário, mas sonha em ser abduzido, pois tem certeza de que há vida no espaço. 

Uma série de confusões acabam realmente levando-o para o espaço, quando é, finalmente, abduzido por uma nave de alienígenas do bem, que o tomam pelo líder da Terra – algo que ele não se importa em corrigir. A apresentação de um lugar chamado Comumniverso, uma espécie de Liga das Nações formada por planetas, é impressionante na imaginação de seres e lugares. É um vasto elenco de alienígenas coloridos e bem-intencionados.

Elio sonha em fazer parte do Comumniverso, mas, para isso, deverá negociar com o enorme Lord Grigon, cuja candidatura foi negada por ser muito violento e admirador de armas. O garotinho será aceito na liga se conseguir fazer o inimigo desistir de aniquilar o Comumniverso. Enquanto negocia, ele conhece Glordon, filho do Lord, que parece uma pequena lesma de bom coração. Nele o protagonista encontra o amigo que sempre procurou, e nunca encontrou na Terra. 

Dirigido por Madeline Sharafian (do curta Burrow), Domee Shi (Red: Crescer é uma Fera) e Adrian Molina (Viva – A Vida é uma Festa), Elio é mais um filme da Pixar no qual uma criança que se sente incompreendida foge de casa. É criativo, mas perde um pouco de sua energia caótica do começo para tornar-se um filme mais domado. Não há a genialidade de um Wall-E, mas o carisma dos personagens sustentam o longa. Agora, é esperar alguns anos para o inevitável remake em live-action, protagonizado por um ator-mirim que nem deve ter nascido ainda. 

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