03/06/2026
Romance Drama

Jovens Amantes

Anos 1980. A famosa escola teatral Les Amandiers, em Nanterre, dirigida por Patrice Chéreau, tem suas poucas vagas disputadas por jovens alunos. Entre eles está Stella, que viverá grandes experiências, dentro e fora do palco, como um romance com o instável colega Étienne. No Belas Artes à la Carte.

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A atriz, roteirista e diretora ítalo-francesa Valeria Bruni-Tedeschi revisita as próprias memórias para compor o enredo de Jovens Amantes - em que tanto seu alter ego, a jovem atriz Stella (Nadia Tereszkiewicz), quanto a escola teatral de Nanterre são protagonistas. 

A história ambienta-se nos anos 1980, quando funcionava em Nanterre, região metropolitana de Paris, uma famosa e anticonvencional escola, ligada ao Teatro Les Amandiers, ambos comandados pelo célebre encenador Patrice Chéreau (Louis Garrel) e o diretor Pierre Romans (Micha Lescot).

As vagas do curso são poucas e muito disputadas. Entre os candidatos, estão Stella, Adèle (Clara Bretheau), Étienne (Sofiane Bennacer), Victor (Vassili Schneider), Franck (Noham Edje), Anaïs (Léna Garrel, a caçula do clã) e Stéphane (Oscar Lesage). Cada um carregando uma personalidade e uma história de vida que vão impregnar a escola de uma atmosfera de paixão e juventude, de ansiedade e de procura e também de medo por conta da epidemia da época, a da AIDS.

Quem viveu aquela época sabe que tipo de medo era esse, já que a doença se propagava através dos fluidos corporais, como saliva, sangue, sêmen. Portanto, o sexo desprotegido era um sinal de perigo de vida constante, numa época em que não havia tratamentos eficazes - adquirir a doença era uma sentença de morte. Mas só se é jovem uma vez na vida, e aqueles quase adolescentes, sonhando ser atores, corriam riscos, muitos riscos, dentro e fora do teatro.

Também co-autora do roteiro - ao lado de Caroline Deruas e Noémie Lvovsky -, Valeria Bruni-Tedeschi capta a instabilidade daquele momento da vida dos personagens, trocando experiências, sentimentos, sexo. O título em português remete ao romance conturbado entre Stella e o colega Étienne, um jovem instável e viciado em drogas que a lança numa espiral de experiências extremas. Há perigo, mas o que é a vida senão também correr riscos?

A figura de Patrice Chéreau, uma lenda dentro do teatro e do cinema francês - ele foi também o premiado diretor de A Rainha Margot (1994) - é revisitada no filme de uma forma nada reverencial, ainda que repleta de nuances. Ao mesmo tempo em que o diretor e encenador comparece na tela como uma pessoa criativa e enérgica em sua atuação dentro do grupo teatral, não se evita mostrar também seus caprichos e oscilações de humor, certamente parte das lembranças de Valeria quando frequentou seu teatro.

Mas, tanto com relação a Chéreau, como quanto a Pierre Romans e cada um dos jovens atores, o filme se coloca de maneira solidária, captando a energia que os movia dentro e fora dos palcos, numa pulsão pela vida que não podia esperar, apesar dos tempos sombrios, apesar das limitações e neuroses de cada um, compondo uma experiência única na vida de cada um deles. Certamente, é dessa marca que a diretora quer falar, olhando para trás em seu próprio álbum de retratos, em que ela busca injetar vivacidade, sem recuar diante das perdas e dores que ficaram pelo caminho.

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