04/06/2026
Aventura Ficção científica

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Depois de quatro anos de sucesso salvando a humanidade, o Quarteto Fantástico deverá enfrentar seu maior inimigo até então: Galactus, uma entidade espacial gigantesca que pretende devorar a Terra. Na Disney+

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Quais seriam os tais Primeiros Passos do subtítulo do novo filme do Quarteto Fantástico? Esses primeiros passos ignoram todos os filmes feitos até agora – todos de fraco a ruins (sendo que um deles, o de 1994, produzido por Roger Corman foi feito para não ser lançado no cinema, embora existam cópias na internet)? É sempre muito curioso quando uma franquia recebe um reboot, começando (mais ou menos) do zero, e ignorando a péssima trilogia do começo dos anos 2000.

O visual retrofuturista é a melhor coisa do filme, que tem como protagonista o astro do momento, Pedro Pascal. A direção de arte do longa começa muito bem, com elementos típicos da virada dos anos de 1950 para 1960, com suas formas curvilíneas, tons pastel e sólidos, e o imaginário da corrida espacial. A origem do quarteto, que surgiu há quatro anos, é explicada rapidamente num programa de televisão. 

O professor Reed Richards (Pascal) monta uma pequena equipe para ir para o espaço, formada por sua mulher, Sue Storm (Vanessa Kirby), seu cunhado, Johnny Storm (Joseph Quinn), e seu melhor amigo, Ben Grimm (Ebon Moss-Bachrach). Algo acontece, eles são atingidos por uma radiação, seus DNAs sofrem mutações e se tornam heróis com superpoderes. Nesse tempo, já estão aculturados, são amados por todos por sempre salvarem a Terra – por “a Terra”, entenda-se os Estados Unidos, como sempre no cinema. 

Mas uma surpresa está por vir na família. Sue avisa que, depois de muitas tentativas infrutíferas, quando já tinham até desistido, ela se descobre grávida. A alegria toma conta, mas Reed ainda tem receio de como pode nascer essa criança, cujo DNA é resultado da combinação do material genético de dois mutantes. Por isso, ele desenvolve diversos equipamentos para investigar como está seu filho, ainda na barriga de Sue.

Nesse mesmo momento, surge um problema: a Surfista Prateada (Julia Garner) vem justamente a Nova York avisar que o vilão Galactus (Ralph Ineson) irá devorar a Terra com sua fome insaciável, da mesma maneira que já fez com outros planetas. O pânico toma conta, mas o Quarteto Fantástico viajará pelo espaço para negociar com essa criatura. 

Sem muita personalidade, sem se arriscar em nada, o filme acaba sendo uma aventura morna, na qual o visual se sobressai à trama e personagens. A Surfista Prateada, por exemplo, é uma figura excepcional com seu corpo metálico no qual tudo se reflete. É um grande feito de design e da computação, gerando uma aparência impressionante, que só perde para o gigantesco Galactus, um ser poderoso e mais uma construção visualmente admirável.

Quem dera o quarteto protagonista tivesse a mesma complexidade que os dois vilões. Reed, o Senhor Fantástico, passa o tempo todo preocupado com o filho e se consumindo quando deve fazer uma escolha de profundo cunho moral. É um momento que o filme poderia ter explorado melhor, mas resolução disso é muito rápida e fácil. Cabe a Sue, a Mulher Invisível, que, dos quatro heróis é a melhor personagem, que coloca a maternidade acima de tudo. Já seu irmão, o Tocha Humana, tem a mentalidade de um adolescente egocêntrico, enquanto ao pobre Coisa cabe o papel de cozinheiro, faxineiro e babá de Frankly, filho de Reed e Sue.

Não há grandes momentos no filme, pois tudo parece superficial demais, sem brilho. O diretor Matt Shakman (experiente em séries de TV, mas apenas com outro longa além deste na filmografia) não consegue fugir da cartilha da obviedade. Incapaz de conjugar elementos a fim de criar um grande espetáculo, ele se contenta com um clímax pouco intenso e, com duas cenas (uma completamente desnecessária) nos créditos finais. A saga do Quarteto Fantástico parece estar longe do fim – afinal, a Marvel só parece estar interessada em oferecer mais do mesmo, desde que dê bilheteria. 

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