04/06/2026
Infantil

Ilha Rá-Tim-Bum - O Martelo de Vulcano

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Inspirado na série da TV Cultura Ilha Rá-Tim-Bum, O Martelo de Vulcano chega aos cinemas como alternativa socialmente responsável para o público infantil. Essa argumentação pode ser levada a sério, quando são analisados os produtos da emissora, destaque do entretenimento educativo brasileiro, sucessivamente vencedora de prêmios internacionais por seus trabalhos.

A nova produção ainda vem amparada pela lembrança do empolgante sucesso de seu predecessor Castelo Rá-Tim-Bum (1999), outro produto da TV Cultura transformado em filme. Dirigida por Cao Hamburger, a produção foi tão marcante, que pode ser considerada uma das melhores fitas infantis brasileiras, se não a melhor.

No entanto, a única semelhança de Ilha e de Castelo parece ser mesmo o nome e o direcionamento ao público. História, ritmo, trilha sonora e até mesmo qualidade distanciam as duas obras. E nesse sentido, a péssima escolha do elenco juvenil, as falhas no roteiro, o humor insosso e o fraco enredo de O Martelo de Vulcano, apenas aprofundam o abismo entre elas.

Aliás, mesmo se comparados apenas como produtos televisivos, existe uma clara diferença. Ilha não teve desempenho tão bom de Ibope e a emissora ameaçou cortá-lo, passando a investir em uma nova geração de telespectadores: pré-adolescente que via o Castelo Rá-Tim-Bum na infância e acabou migrando para outros canais. O que, de cara, já macula a imagem de uma produção, ainda mais quando alça vôos cinematográficos.

Sobre a história, não há muitas novidades. Cinco adolescentes sobrevivem a um naufrágio e acabam chegando a uma ilha encantada, repleta de figuras pitorescas, animais falantes e feiticeiros. E tal como nos episódios da TV, eles devem enfrentar os problemas impostos pelo vilão Nefasto (Ernani Moraes) para uma convivência pacífica na ilha. Para combatê-lo, eles contam com a ajuda de uma atrapalhada bruxa egípcia. No longa, todos estão em busca do tal martelo (quem conhece a cultura greco-romana saberá identificar), que não pode cair nas mãos dos malfeitores.

Ao analisar o filme pelo seu conteúdo, é inegável a capacidade dos roteiristas em unir diversas preocupações sociais de forma sutil. Temas como preconceito, trabalho em equipe, direitos e deveres, entre outros, estão implícitos na história, seguindo a linha dos produtos Cultura.

No entanto, o fato não sustenta o filme, que carece de uma série de elementos, entre eles um bom elenco, com exceção da presença carismática de Graziella Moretto, como a bruxa bondosa, e do excelente Ernani Moraes, como o seu arqui-inimigo. Embora grande parte dos atores não seja ruim, diga-se, há personagens que chegam a ser irritantes. É o caso de Rouxinol (Greta Eleftheriou), que, além de insuportável e atrapalhar o andamento do filme, concentra grande parte dos erros de continuidade da produção.

O Martelo de Vulcano, desta forma, cai em um caldeirão em que as intenções são melhores que os resultados, tal como aconteceu com Pequenos Espiões 3 D, que estréia junto com a produção tupiniquim. Embora os dois filmes deixem muito a desejar, o americano ainda chama mais a atenção por conter cenas em 3D. Uma pena, mais ainda para o público nacional, que deveria ver em nossas produções um pouco dessa criatividade brasileira de que tanto se fala.
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