Infelizmente, as notícias não são boas: a “comédia estilo Multishow” chegou para ficar. Aquele humor de sitcom, diálogos gritados, direção quase inexistente, que funciona na televisão, se tornou um subgênero cinematográfico brasileiro e A Sogra Perfeita 2 vem se juntar a tantos outros exemplares.
Essa relação com a televisão não tem a ver com a presença da protagonista Cacau Protásio, conhecida por seu papel no humorístico Vai Que Cola. Ela também esteve no elenco da novela Avenida Brasil, num papel que ela fez crescer pelo seu próprio talento para comédia. Por isso, é frustrante vê-la num filme tão raso em suas propostas de humor.
Como já provaram cineastas como Jorge Furtado, comédia popular não precisa ser tola e rasteira com situações caricatas. Aqui, as diretoras Cris D’amato e Bianca Paranhos optam pelo humor rápido, sempre gritado e sem qualquer densidade. Salva-se a veterana Fafy Siqueira, como uma mãe portuguesa no Brasil.
Protásio é, novamente, Neide, que, depois de casar o filho no primeiro filme, vive tranquila e feliz com seu salão de beleza, mantendo um romance com o padeiro português Oliveira (Marcelo Laham), que quer se casar com ela. Mas a protagonista não quer perder seu sossego e não aceita o pedido. Sem saber da recusa, a mãe dele, Dona Oliveira (Siqueira), e o irmão, Segundinho (Ricardo Pereira), vêm de Portugal e são surpreendidos pela situação.
Numa trama paralela, Sheyla (Evelyn Castro), melhor amiga de Neide, abriu uma barbearia ao lado do salão da outra. Juntas, elas vão entrar num concurso de beleza para derrotar Richard Lambert (Luis Miranda). Obviamente, o roteiro de Flávia Guimarães e Bia Crespo planeja uma série de encontros, desencontros e mal-entendidos, além de trazer uma nova personagem, Melanie (Maria Bopp), que começa a trabalhar no salão.
Sem muita preocupação técnica ou narrativa, A Sogra Perfeita 2 poderia ser dividido em alguns episódios de um programa humorístico para passar, ora senão, no Multishow.
