03/06/2026
Drama

Uma Mulher Diferente

Katia é uma mulher autista que trabalha como pesquisadora para documentários. Até que começa a descobrir mais sobre o autismo e passa a explorar novas possibilidades em sua vida. Nos cinemas.

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A diretora e roteirista Lola Doillon lida com um assunto delicado de forma bastante sincera em Uma Mulher Diferente. A mulher do título é Katia, de 35 anos, pesquisadora para documentários e autista. O filme encontra em Jehnny Beth (Anatomia de uma Queda) a presença de que precisava para se equilibrar entre o cômico (sem nunca ser bobo ou escrachado) e o dramático (sem nunca colocar a personagem como mártir ou vítima), e é nisso que reside a graça aqui. 

Com esse longa, Doillon mostra as limitações da França e de sua população para lidar com pessoas autistas e as abraçar em toda sua potência – como é o caso da própria Katia, que tem mais qualificação do que seu trabalho pede, mas ainda assim, está presa nessa posição. A descoberta de novas possibilidades, porém, leva a protagonista a pensar em coisas diferentes a fazer e explorar mais sua capacidade.

Do encontro com Fred (Thibaut Evrard), surge a possibilidade de um romance, que Doillon bem aproveita no filme, sem o tornar superficial ou tolo. Ela apenas encontra um tom mais leve de lidar com um assunto importante e sério, que precisa ser discutido, sem cair em psicologismos baratos ou prescrições. É uma câmera que observa a “mulher diferente” descobrindo e explorando sua plenitude, sem fazer julgamentos. 

Mas o filme é, no fundo, um olhar um tanto utópico sobre Katia, e a vida que ela levará – independente de suas escolhas. Doillon evita questões mais espinhosas e corriqueiras que a personagem enfrentará num futuro, como o seu próprio dia-a-dia. Fica clara, assim, a opção da cineasta de fazer um retrato otimista. 

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