05/09/2026
Comédia

Os Normais

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Com 54 episódios já exibidos, Os Normais se tornou para o público uma alternativa de humor na TV brasileira. Há quem diga que o sucesso da série se deva mais a decepcionante qualidade de humorístico televisivos, do que propriamente à originalidade da produção. Uma crítica sem muito fundamento, já que a criatividade da dupla de roteiristas Fernanda Young e Alexandre Machado só empalidece frente a química apresentada entre os atores Fernanda Torres (Vani) e Luiz Fernando Guimarães (Rui).

No entanto, como grande parte desses programas, a fórmula começou a se esgotar ainda na segunda temporada, no ano passado. Desde então, o telespectador pode ver a idéia inicial do seriado ser cada vez mais denegrida, tornando-se no fim apenas uma comédia grosseira, em que os velhos preconceitos afloravam a cada diálogo. Uma falha discutível, mas que se percebeu ao longo do terceiro ano, quando deixou de ser produzido.

Apesar das constantes alegações da crítica e da fuga de audiência, o diretor Pedro Alvarenga Jr., amparado pela Globo Produções e pela distribuidora Lumière, aceitou a proposta de realizar o longa da série. Uma jogada um tanto arriscada, mas com grande probabilidade de dar certo, já que o público, acostumado às loucuras e neuroses do casal Vani e Rui, passa a saber como eles se conheceram. Fato omitido em toda a série.

Como não se trata de um casal qualquer, o encontro, claro, é bastante inusitado: Vani está prestes a se casar com Sérgio (Evandro Mesquita), quando percebe que não tem arroz para celebrar o matrimônio. A alternativa encontrada por ela foi, na igreja, falar com Rui, o noivo do próximo casamento. Apesar da insistência, Marta (Marisa Orth), noiva de Rui, se recusa a emprestar arroz e os problemas começam. Pioram ainda mais com a descoberta da infidelidade de Sérgio e pelo fato de os casais serem vizinhos. Um atribulado quarteto amoroso começa a despontar, em meio ao caos.

Essa comédia romântica amalucada dá bons resultados quando se analisa a sintonia entre o elenco, que - exceto talvez por Evandro Mesquita - é deliciosamente divertido. Porém, em meio a boas piadas, o humor rasteiro que predomina em quase toda a produção, a deixa em um nível muito mais baixo do que o imaginado.

Mesmo assim, o filme traz também uma série de divertidas seqüências em maquete, em particular a da explosiva perseguição nas ruas do Rio de Janeiro. As demais locações em estúdio fazem com que o espectador não perceba muitas diferenças do que se viu durante três anos de TV. Apesar do cuidado maior a cada cena, é inegável a impressão que se tem de que seja apenas um episódio alargado para a sala escura.
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