19/07/2026
Comédia

Todo Mundo em Pânico

Quando Ghostface ataca a filha caçula de Cindy, Waldinha, ela percebe que deverá deixar as diferenças de lado, e reaproximar-se de suas meninas para derrotar o assassino. Além disso, reencontrará sua antiga amiga, Brenda.

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Não é nenhuma surpresa que a produção mais afiada para capturar e criticar o zeitgeist seja uma sátira a filmes de terror, um gênero que, por si só, já é, em seus melhores exemplares, uma crítica ao presente. Também não é novidade que Todo Mundo em Pânico (chegando ao volume 6, embora o número não conste no título) seja capaz de fazer isso em seus momentos mais inspirados. E não são poucos. 

Partindo de zombarias a filmes recentes, como o inevitável Pânico 7, mas, também incluindo outros, como Corra!, Pecadores, A Substância, A Hora do Mal, Uma Batalha Após a Outra, a série Wandinha (aqui a personagem é chamada de Waldinha), Guerreiras do K-Pop, e o recentíssimo Michael – claramente, uma adição tardia que foi bem encaixada, e a paródia é hilária. 

O diretor Michael Tiddes estreia na franquia, dada como agonizante desde 2013, num filme que não trouxe o elenco original, ao menos aquele que sobreviveu aos outros longas (ou Brenda, que já morreu duas vezes). Aqui a gangue está de volta: Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans), Ray (Shawn Wayans), Gail Hailstorm (Cheri Oteri) e Doffy (Dave Sheridan).

Como também acontece nos anteriores, as partes são melhores que o todo. A trama é pífia e é o de menos. Ghostface está de volta, e dessa vez matando, ou tentando matar, os filhos de Cindy e Brenda, que não se viam há anos. O que move a, digamos, narrativa é tentar descobrir quem é o assassino. Mas isso é o de menos, e serve como desculpa para escancarar temas como racismo - o mais recorrente aqui -, abuso de medicamentos e a ladeira por onde sequências cinematográficas desceu e nunca mais conseguiu subir de volta.

A nova geração inclui nomes como Olivia Rose Keegan, Sydney Park, Savannah Lee Nassif e Gregg Wayans, todos em personagens vagamente descartáveis, enquanto a força do filme e do humor está em Faris e Hall. A primeira, numa personagem que zomba a protagonista de Pânico, tem uma combinação de ingenuidade e ousadia, enquanto a colega tem audácia e alguma das melhores falas do longa – usando uma peruca à la Octavia Spencer, em Ma

Disparando uma metralhadora giratória de comentários críticos contra racismo, anti-wokeism, porte de armas, “Karens”, entre outras coisas, Todo Mundo em Pânico cutuca os Estados Unidos do presente, embora sem referências ao presidente Donald Trump, mas, ainda assim, escancarando algumas feridas numa forma diferente do cinema mainstream, que, muitas vezes, é cheio de dedos para tocar em alguns assuntos. 

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