22/07/2026
Terror Suspense

Águas Mortais

Sobreviventes de um desastre de avião caem no mar, e se abrigam nos escombros da aeronave. Enquanto esperam o socorro, percebem que tragédia está só começando ao notar que tubarões os rondam.

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Águas mortais combina dois arquétipos do cinema de horror/desastre: acidente de avião e tubarões. Mas o veterano Renny Harlin (Duro de Matar 2) é incapaz de dar conta de qualquer um dos subgêneros. O acidente do avião nem é tão impressionante, e o CGI ruim não ajuda. Os temidos predadores carnívoros não têm a metade da graça de um Sharknado ou metade da sagacidade do bom e velho Tubarão. O próprio diretor já havia se saído melhor com tubarões em Do fundo do mar, mas aqui tenta reciclar os clichês sem sucesso.

Boa parte da primeira metade é gasta em “construir” personagens que serão as vítimas, mas nenhum deles ou delas escapa da obviedade ou tem qualquer traço de humanidade, o que piora com o sentimentalismo barato em que o filme se apoia. Sem originalidade – o próprio cartaz evoca Tubarão –, o longa não consegue alcançar, por exemplo, aquela aura de filme B, divertido e despachado, com personagens icônicos. Não, aqui tudo é levado muito a sério, há sofrimento, superação, até lições de vida.

Aaron Eckhart interpreta Ben, copiloto de um voo que ia de Los Angeles a Xangai, pilotado por Rich (Ben Kingsley), que está prestes a se aposentar. Depois deles, são mostrados os passageiros, cujos nomes não importam muito, e é mais perversamente divertido imaginar a ordem em que serão devorados ao longo dos mais de 100 minutos de filme. 

Dos 257 passageiros a bordo, 30 morrem no desastre, que faz os sobreviventes caírem no oceano. Os restos do avião se tornam abrigos flutuantes, embora ainda existam alguns botes. O resgate, supostamente, está a caminho, pois espera-se que algum centro de controle note o desaparecimento do aeronave. Antes disso, no entanto, chegam os tubarões-mako. E o resto não é difícil de imaginar.

Na verdade, não é difícil até imaginar de forma mais criativa do que se vê na tela. Os personagens continuando sendo o que são, figuras de uma dimensão que se mostra ainda mais evidente diante da tragédia. Ben banca o herói e se aproxima da menina Cora (Molly Belle Wright), que ficou órfã na tragédia. Dan (Angus Sampson), que é uma pessoa horrível, se torna pior ainda, e Martine (Madeleine West) é destemida. O filme mais ou menos cumpre o que promete, mas sem qualquer traço de criatividade. 

 

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