Thaia Perez é uma atriz mais de teatro do que de cinema e televisão. Nem por isso, no entanto, deixou de fazer papeis marcantes no audiovisual, como a Tia Lúcia, em Aquarius, e Isabel Soares, em Todos os mortos. Até agora não tinha feito uma protagonista, e Mil Luas lhe dá essa chance, no papel da imigrante italiana Chiara.
No filme escrito e dirigido por Carina Bini, a protagonista é dona de um restaurante de massas numa cidade pequena, mas as coisas não vão bem. Ela tem uma lambreta com a qual sai para longos passeios, deixando a filha (Beta Rangel) aflita. Tem um amigo (Nuno Leal Maia), com quem flerta sem muita pretensão. A chance deles ficou no passado.
Mil Luas constrói de forma delicada essa personagem, apoiando-se na excelente atuação de Perez, mas não sabe muito bem o que fazer com isso. É um filme que aborda o envelhecimento de uma maneira delicada, mas não lúdica, como é o caso do recente É tempo de amoras, que trabalhou melhor o mesmo tema.
As personagens existem dentro do filme exclusivamente em função de Chiara. É como se não tivessem vida, fossem apenas personagens com uma única função na narrativa. A filha se preocupa com a mãe e com a dívida que têm com um agiota (Mauri de Castro) – esse, por sua vez, quer o dinheiro pois diz que sua mulher precisa fazer uma cirurgia. O antigo pretendente serve apenas para lamentar a oportunidade perdida, e o guru espiritual (Victor Abrão), que a protagonista conhece quando sua lambreta quebra, serve para introduzir frases de autoajuda no filme.
Os diálogos redundantes também não ajudam muito ao reiterar tantas vezes coisas óbvias. Não há dúvida de que o filme seja repleto de boas intenções, mas estas se perdem nos parcos 70 minutos de projeção, diante da simplicidade exagerada e da falta de alguma elaboração formal.
