Uma quase tragédia a um passo da farsa é o tom de Assalto à Brasileira, em que o veterano diretor José Eduardo Belmonte reconstitui, a partir de um roteiro de L.G. Bayão, um famoso assalto a banco ocorrido em Londrina, em 1987.
No Festival de Brasília 2025, o filme venceu como melhor título para o júri popular, além dos Candangos de melhor ator (Murilo Benício), ator coadjuvante (Christian Malheiros) e um troféu Saruê, dado pelo jornal Correio Braziliense ao maior acontecimento do festival, para o diretor José Eduardo Belmonte.
O ritmo transcorre como uma aventura cômica impregnada de comentários sociais. Um retrato na parede lembra que era o governo José Sarney, uma época de hiperinflação e crise econômica ainda como reflexos da ditadura recém-terminada - contexto que leva os populares que acompanhavam o assalto a torcer ostensivamente pelos assaltantes que, dentro da agência, negociavam uma saída para eles e as dezenas de reféns.
O aspecto cômico cresce à medida que se torna mais claro o amadorismo destes assaltantes. Depois de estourarem um quadro de luz, ficando sem telefones, Moreno (Christian Malheiros), Barba (Robson Nunes) e os outros cinco ladrões passam a depender de um canal alternativo de negociações com o policial Fonseca (Paulo Miklos). Este se oferece na figura de Paulo (Murilo Benício), repórter veterano e recém-demitido que estava no banco para receber sua rescisão e foi surpreendido pela situação - em que ele enxerga a oportunidade de dar um furo de reportagem e retomar seu emprego.
Experiente em produções de alta adrenalina como Alemão (2014) e Carcereiros (2019), aqui Belmonte suaviza o tom, mantendo foco no retrato de ambiente, dentro e fora da agência bancária, de olho no tumulto à porta e na torcida que começa a se estabelecer pelos ladrões.
O fator de risco está do lado de fora, na polícia e na política. Fonseca comanda as negociações pressionado pelo secretário da segurança (Arnaldo Madeira) que espera que o policial ganhe tempo e enrole os ladrões, o que certamente aumenta o risco de mortos e feridos.
Belmonte demonstra mão segura nesta direção, equilibrando os tons de tensão e comédia, contando com um elenco bastante eficaz, em que ainda se destaca a presença de Hugo Possolo - que interpreta o gerente do banco e foi o responsável pela preparação do elenco de apoio, que tem seus momentos de destaque. Mais saborosas ainda são as intervenções, no final, dos verdadeiros personagens desta situação, dando seus depoimentos sobre um evento policial que se tornou midiático e perdura na memória da cidade paranaense até hoje.
