26/08/2026
Drama

O Agente da Estação

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Não é novidade que o cinema americano procure explorar histórias que abordem minorias. Afinal, a Academia gosta de premiar atores que interpretam personagens com algum tipo de deficiência - uma maneira de frisar sua postura politicamente correta. Em O Agente da Estação, o papel principal coube a um anão, Peter Dinklage (o mesmo de Um Anão em Nova York). Mas o filme de estréia do diretor Thomas McCarthy, vencedor de três prêmios no Festival de Sundance 2003 (Público, Drama e Especial do Júri), foge do previsível. Em vez de provocar no espectador lágrimas pelos rejeitados, entretém pela sua história, que disseca, com delicadeza, as relações humanas e, principalmente, as dificuldades em lidar com os sentimentos.

O anão Fin Bar é um aficionado por trens e faz desta paixão seu sustento: trabalha numa loja que restaura miniaturas. Com a morte do dono, Fin herda um depósito na cidade de New Jersey. Sem outras opções, muda para esse local onde antes funcionava uma estação ferroviária. Além de arrumar o depósito para torná-lo habitável, Fin gasta o tempo observando trens e lendo livros sobre o assunto.

Sua reclusão e solidão vão sendo alteradas com os acontecimentos do dia-a-dia da cidade. A aparente busca de tranqüilidade de Fin é interrompida pelas confusões de dois moradores. Um é Joe (Bob Cannavale), um cubano falante, dono de um trailer de fast food que aporta todos os dias em frente ao depósito. O outro morador é Olívia (Patrícia Clarkson, em excelente atuação), uma mulher madura que acaba de sofrer um grande trauma.

A idéia de mostrar um forasteiro que muda as pessoas de uma cidade e também é mudado por elas não é inédita. O mérito é de como isso se desenvolve com o ótimo roteiro assinado pelo diretor McCarthy. A história não traz tramas mirabolantes, nem catarse, mas convida o espectador a acompanhar com interesse o destino desses personagens.

É claro que numa cena ou outra o personagem Fin recorre à sua condição para emocionar. Esbarrar em temas mais pesados como o da exclusão social, não significa fazer um filme piegas. O Agente da Estação também sabe lidar com o humor. O baixo orçamento da produção (menos de 500 mil dólares) leva a acreditar que o cinema independente norte-americano ainda é uma porta para bons resultados.
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