A agenda dos atores especializados em papéis de zumbi nos filmes anda muito ocupada em 2004. Primeiro com A Madrugada dos Mortos, o remake do clássico do terror de George Romero. Agora, em Resident Evil 2: Apocalipse. Nos dois filmes, eles são as verdadeiras estrelas e roubam todas as cenas em que aparecem.
Não deve ser fácil para um ator fazer tal trabalho. O papel requer muito mais do que fazer corpo mole, trançar as pernas e deixar os braços largados - além da pesada maquiagem. É preciso desenvolver toda uma linguagem corporal e ler O Corpo Fala, de Pierre Weil e Roland Tompakow. Afinal, fazer um morto-vivo é bem mais complicado do que um vivo-morto ou um vivo-vivo. E a centena de figurantes de Resident Evil 2, que fazem um trabalho muito 'belo' - não fossem os personagens tão feios - merecem crédito.
É notório o vazio deixado no filme na hora em que não há zumbis em cena. A história, quase inexistente, é um jogo de videogame, no qual o 'jogador', leia-se platéia, fica passivo por uma hora e meia vendo 'outras pessoas jogarem', ou seja o diretor. Qual a graça de assistir a jogo de videogame sem poder participar? Quem deve saber a resposta são os milhares de adolescentes que lotaram os cinemas americanos desde quando o filme estreou por lá, em primeiro lugar.
Mas depois o boca-a-boca, além das críticas negativas, refletiram-se na bilheteria. Logo no segundo final de semana, houve uma queda de 61% na arrecadação. O filme é uma seqüência da bem-sucedida franquia, baseada em uma popular série de videogame. Do elenco original, resta apenas a bela Milla Jovovich (Joana D'Arc), uma desmemoriada segurança que ao final do primeiro filme foi abduzida junto com Matt para o programa Nêmesis, na empresa Umbrella. Aliás, o subtítulo original do filme era Nemesis, mais teve de ser alterado quando o mais recente episódio da série Star Trek chegou antes às telas, com o mesmo nome.
Na superfície, Raccoon é uma bela cidade, onde todos vivem felizes. No subsolo, alguns funcionários da Umbrella abrem um setor da empresa chamado de Colméia, liberando vírus que transformam as pessoas em zumbis. O terror se espalha. A empresa ainda tenta evacuar os tops de seu escalão, entre eles um cientista paraplégico que só aceita sair da cidade com a filha. Mas um acidente força a menina a ficar presa em Raccoon.
De outro lado está Alice, que foi infectada como uma cobaia, com o vírus e o antivírus. Quando ela se junta a um outro grupo de sobreviventes, recebe um telefonema do cientista, agora isolado, prometendo ajudá-los a sair da cidade infectada se eles salvarem sua filha, que ele conseguiu localizar através de um programa de computador.
Seguem os clichês do gênero videogame na telona. Muita correria, tiros, explosões, nenhuma explicação. Não que explicar seja necessário. O filme é feito para os fãs do jogo, e eles com certeza devem se divertir. A única novidade é o Nêmesis, uma criatura gosmenta e gigante - que destrói quase tudo.
Enquanto os fãs do game podem se deliciar com as seqüências de ação, os demais mortais vão ficar se perguntando porque Jill Valentine (Sienna Guillory) veste uma blusa tão justa e uma saia que não tem mais do que 20cm, quando se espera que uma policial use uniformes. Para estes, Resident Evil 2: Apocalipse vai parecer uma versão de Madrugada dos Mortos ligada numa tomada 220.
