Como a vasta maioria dos filmes infantis das últimas décadas, o foco do longa da apresentadora é a ecologia. Desta vez, o alvo são os golfinhos, que devem ser protegidos de um maldoso milionário que pretende construir um parque temático com tubarões onde esses mamíferos marinhos são protegidos.
No seu programa de TV, Eliana promove um concurso de redação. O vencedor será levado para conhecer os golfinhos mexicanos. Os ganhadores são os amigos Calé (João Paulo Bienemann) e Rogério (Thomas Levisky). Na verdade, apenas o primeiro escreveu a redação, o amigo dele enganou a todos colocando também o seu nome no texto que mandou para o programa de TV. Nessa viagem, eles terão de levar a chata e esnobe irmã de Rogério, Veralú (Fernanda Souza).
Enquanto isso, no paraíso tropical, coisas estranhas estão acontecendo. Os golfinhos amanhecem doentes e começam a morrer. Tudo por causa do vilão Esquivel (Fulvio Stefanini), com a ajuda de sua comparsa (Angela Dip), que roubou um crânio de cristal responsável pela harmonia dos golfinhos com a natureza. De posse do objeto mítico, o maquiavélico consegue dominar a todos, inclusive um juiz que iria condená-lo. Então, como todo bom vilão que se preze, pretende dominar o mundo.
Restará a Eliana, com a ajuda do biólogo Fred (Daniel Del Sarto), salvar a vida dos seus amigos aquáticos. Quem conhece a história do crânio é Pepe (Jackson Antunes), uma espécie de ser mítico que tudo sabe sobre os golfinhos. A chegada das crianças no México trará novidades à trama. Enquanto Calé irá ajudar a apresentadora, Rogério e Veralú só vão atrapalhar, tentando de tudo para aparecer na TV.
Quando Eliana reuniu a imprensa, em junho do ano passado, antes de embarcar para o México, ela e sua equipe disseram que fariam um filme para toda a família. Mas, aparentemente, isso ficou só na intenção. Além de fazer pouco da inteligência das crianças (dos adultos e adolescentes nem se fala), Eliana em o Segredo dos Golfinhos tem várias cenas envolvendo uma arma de fogo - algumas vezes, apontada para crianças. Por mais que se fale, em defesa do filme, que a arma está nas mãos do vilão, a verdade é que isso mostra às crianças um exemplo a não ser seguido. Nunca é conveniente apresentar armas e golfinhos baleados em filmes cujo público-alvo nem concluiu o primário ainda.
Mas esse, afinal de contas, nem é o grande problema da história. O tratamento banal da ecologia já está mais do que desgastado no universo infantil. O filme até levanta a bandeira 'salve a natureza' mas da forma mais canhestra possível. O que ameaça a vida dos golfinhos nem são caçadores, mas o roubo de um crânio de cristal que 'protege' esses mamíferos. A fantasia acaba depondo contra. O crânio não serve como metáfora e a mensagem não chega - nem por vias tortas.
As externas foram rodadas no México, porque esse tipo de filmagem não é permitida em Fernando de Noronha. Mas, mesmo na América Central retratada, todo mundo fala português, inclusive um grupo de manifestantes - liderados por Supla -, que, apesar disso, fazem cartazes e faixas em espanhol.
Há tempos não se via um filme com tantas 'referências' no cinema brasileiro. De Free Willy a Tubarão passando por As Panteras, Tomb Raider (só faltou a pancada no tubarão) até um improvável momento à la Os intocáveis. Mas nada disso conta, porque Eliana em o Segredo dos Golfinhos está destinado a ser uma daquelas lendas urbanas (ou seria litorânea?) como Cinderela Baiana - que ninguém tem certeza se existiu mesmo, mas conhece o amigo de um amigo de um primo que jura ter visto.
