Tim Avery (Jamie Kennedy) engravida a sua mulher enquanto usa uma 'máskara' de poderes especiais. O bebê nasce com superpoderes. Enquanto isso, o deus nórdico Loki (Allan Cumming) está na Terra procurando a 'máskara' que ele criou e tem causado problemas aos humanos.
- Por Alysson Oliveira
- 14/04/2005
- Tempo de leitura 3 minutos
Pensar em O Filho do Máskara sem o cantor Supla dublando o personagem Loki, interpretado por Allan Cumming (De Olhos Bem Fechados), é como pensar em Farenheit 11 de Setembro sem George Bush, ou em ... E O Vento Levou sem Vivien Leigh e Clark Gable. Ou seja, não tem a menor graça, nem sequer tem razão de ser. Talvez por isso o filme tenha ido tão mal nos Estados Unidos. Eles precisavam mesmo era de um ‘papito’ para incrementar essa entediante comédia histérica.
O filme nem é propriamente uma seqüência de O Máskara (1994) que deu de presente ao mundo a carreira de comediante de Jim Carrey. Até porque o 'máscara' original nem se casou ou teve filhos. O nome vem mesmo da falta de algo mais chamativo para associar com a palavra ‘máskara’. Nomes como ‘O Bebê Máskara’ ou simplesmente ‘Máskara 2’ não venderiam o filme, que nem sequer tem Carrey.
O título mais honesto talvez fosse ‘O Filho da Máskara’, pois o bebê é concebido enquanto o pai está usando a máscara mágica. Já no dia seguinte, a mamãe descobre que está grávida e começa a vomitar bolhas de sabão. Nasce o bebê, que é capaz de feitos assustadores – embora, por algum motivo, a platéia seja pressionada a achar tudo muito bonitinho –, como ‘encher’ a sua cabeça como se fosse uma bexiga ou pular de uma parede a outra como se tivesse numa overdose de esteróides.
Na outra ponta da ‘trama’ está Loki, o filho do deus nórdico Odin (um irreconhecível Bob Hoskins sob uma maquiagem pesada) que é o criador da 'máskara'. Para não ser deserdado – ou algo que o valha –, o rebento deve localizar a sua criação que anda trazendo muitos problemas para os humanos. Nesse ponto é preciso fazer um parêntese. Não existiria pessoa mais perfeita para dublar – ou até mesmo interpretar Loki – senão Supla, uma espécie de Billy Idol brasileiro. Filho dos políticos Marta e Eduardo Suplicy, a relação de Supla com sua família – especialmente o pai – parece encontrar reflexos no personagem, a ovelha negra da família de deuses nórdicos. Alguns dos melhores momentos do filme (dois, na verdade) acontecem graças a frases dúbias proferidas pelo personagem ao som da voz do cantor, que mais se referem ao atual estado marital de seus pais do que aos seres mitológicos.
Com o bebê fofinho, o cachorro sacana (mas também fofinho) e o colorido gritante de desenho pré-escolar,O Filho do Máskara é voltado para o público infantil – aquele que nem havia saído das fraldas ou sequer nascido quando o primeiro filme foi lançado. Nesse caso, há alguns indícios de que esse filho não fará muitos amiguinhos. Algumas das piadas fogem completamente do universo infantil – como no caso em que a cabeça de um personagem gira como a da menina de O Exorcista, ou mesmo os espermatozóides da máskara.
O problema mais sério começa quando se vêem armas, tiros e explosões num filme infantil. Loki transforma seus dedos em canos de revólveres e dá uma saraivada de tiros em torno de um grupo de policiais. Em outra cena, ele joga uma granada sobre o bebê-máskara e seu pai. Isso sem levar em conta as escatologias envolvendo urina, vômitos e afins.
Mas o maior dos maiores pecados está em dar para a família do bebê o sobrenome Avery, uma nítida referência a Tex Avery, o criador de personagens, como o Coelho Pernalonga e Patolino. Mas enquanto o verdadeiro Avery tinha inteligência, charme e sagacidade, os Averys da ficção são chatos e sem graça, beirando a patetice. Ou em uma palavra, desnecessários.
