Embora seja originalmente o primeiro filme da Trilogia concebida pelo belga Lucas Belvaux, Um Casal Admirável é o segundo a ser lançado no Brasil. Porém, não existe uma ordem fixa para se ver os longas, pois eles são complementares, e não seqüenciais – a ação dos três longas se passa ao mesmo tempo. Em cada parte da série o diretor optou por um gênero: Em Fuga é um thriller político; este, uma comédia romântica; e Acordo Quebrado, um melodrama.
Como uma comédia romântica, Um Casal Admirável transita com fluência entre o cômico e o romântico. O casal do título é forma do por Cécile (Ornella Muti) e Alain (François Morel), que estão juntos há vinte anos, e o casamento vai muito bem, obrigado. Porém, uma bola de neve põe em risco a união estável deles.
Alain é um advogado hipocondríaco que é avisado pelo médico que deverá ser submetido a uma pequena cirurgia. Ele não conta isso para a sua mulher que, por uma série de pequenos desencontros, conclui que ele está tendo um caso. Para investigá-lo, ela chama Pascal (Gilbert Melki), marido de uma colega de trabalho, e um policial nervosinho. Além disso, o detetive está perseguindo um terrorista que fugiu da prisão, que é exatamente Pierre (Belvaux), e terá sua história contada no Em Fuga. O policial e sua mulher viciada em morfina são o centro do terceiro filme.
Enquanto investiga o marido supostamente infiel, Pascal acaba se apaixonando por Cécile, o que faz Alain pensar que ela é a infiel do matrimônio. E vai além, acreditando ser vítima de uma conspiração, envolvendo a mulher, filhos, amigos, que planejam sua morte. A menta neurótica é capaz de tudo.
Um Casal Admirável é um filme divertido e agradável de se ver. Parte graças ao talento cômico de Morel, e parte pela beleza de Ornella. O roteiro, também assinado por Belvaux, deixa algumas pontas aparentemente soltas, que são complementadas com os outros dois filmes. Necessidade narrativa, ou puro marketing, à parte, essa comédia romântica se sustenta por si só. E a trilogia completa prova aquilo que o dramaturgo inglês Tom Stoppard disse em Rosencrantz and Guildenstern Estão Mortos toda saída é uma entrada para outro lugar.
