03/07/2026
Fantasia Drama

A Promessa [2005]

Na China imperial devastada por guerras, o poderoso general Guanming encontra um escravo, Kunlun, capaz de correr na velocidade do vento. Um dia, o general é ferido e envia Kunlun com sua armadura para proteger o imperador de seus inimigos. Kunlun, no entanto, acaba matando o imperador, que tentava matar uma bela moça que resistia a ele, a jovem Qincheng. O acidente precipita tragédias e permite a descoberta de uma lenda maldita sobre a moça.

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Um dos mais promissores integrantes da chamada “quinta geração” do cinema chinês, Chen Kaige guarda no currículo a indiscutível glória da direção do primeiro e, por enquanto, único filme chinês a vencer a Palma de Ouro em Cannes – feito assinalado em 1993, com o belo Adeus, Minha Concubina.

Apesar desse marco indiscutível, Kaige nunca superou seu colega de geração, Zhang Yimou, que realizou mais e melhores filmes ao longo de toda a sua carreira. Ao adentrar no território das aventuras mágicas de artes marciais, Kaige mais uma vez perde feio do compatriota. Até no terreno dos efeitos especiais, A Promessa nunca chega aos pés dos impecáveis Herói (2002) e O Clã das Adagas Voadoras (2004). Nem se fale também do excelente O Tigre e o Dragão (2000), de Ang Lee, chinês de Taiwan radicado nos EUA.

A Promessa se baseia num conto de fadas. A protagonista é Qingcheng (Cecília Cheung) que, quando menina, era muito pobre. Um dia, recebeu a visita de uma deusa (Hong Chen), que lhe promete que nunca mais passará fome, mas exige uma condição: em troca do conforto, Quingcheng nunca será feliz por muito tempo ao lado de homem algum.

Numa China imperial devastada por guerras, a bela moça vira objeto de disputa. Fica no centro de uma grande intriga no dia em que desafia os poderes do imperador e é quase morta por isso. Salva-a na hora H um bravo guerreiro, que enverga o uniforme do general Guangming, mas na verdade é seu escravo, Kunlun (Jang Dong-Gun). O general, ferido, na verdade o enviara para proteger o imperador, contando com a velocidade mágica dos pés de Kunlun, último remanescente de uma tribo capaz de correr mais rápido do que o vento. Ao ver a moça em perigo, no entanto, Kunlun acaba matando o imperador e salvando a bela, precipitando a desgraça do general.

A confusão de identidades, no entanto, causa que Qingcheng acredite que foi o general quem realmente a salvou. E este aproveita o equívoco para ganhar os favores românticos da cobiçada jovem. Várias viradas na roda da fortuna lançam a confusão destes destinos, com momentos atraentes. Mas, no todo, o filme mostra-se muito irregular. Nos já citados efeitos especiais, há cenas risíveis, o que é estranho levando-se em conta de que se trata, alegadamente, do filme mais caro já realizado na China continental. Se fosse só isso, seria perdoável. Na condução da trama, há várias quebras de ritmo, cenas mal-resolvidas, equívocos de direção. E, mesmo assim, deve ser o melhor momento da carreira de Kaige que, nos últimos anos, realizou filmes irregulares, como O Imperador e o Assassino (99) e Mata-me de Prazer (2002).

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