18/07/2026
Musical

Dreamgirls - Em Busca de um Sonho

Nos anos 60, em Detroit, um trio chamado Dreamettes busca o sucesso. Porém, quando conhecem um empresário ambicioso, o grupo começa a brigar. Deena Jones (Beyoncé Knowles) conhece a fama, enquanto sua ex-parceira Effie White (Jennifer Hudson) abandona a carreira musical. O futuro, porém, lhes reserva algumas surpresas.

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Este musical entra para a história do Oscar como um azarão às avessas. Um dos filmes mais badalados de 2006, a indicação ao prêmio de Melhor Filme era dada como certa. Porém, depois de um Globo de Ouro na categoria Melhor Comédia ou Musical (entre outros), a produção acabou não ficando entre os finalistas da categoria principal da premiação da Academia. Ainda assim, tornou-se a produção que mais recebeu indicações ao Oscar (oito), mas foi esquecida na categoria principal.

Dreamgirls concorre com três canções originais, direção de arte, figurino, mixagem de som, ator coadjuvante (Eddie Murphy) e atriz coadjuvante (Jennifer Hudson). Todas as indicações são merecidas, pois o que mais há no filme é brilho, glamour, roupas e penteados extravagantes e música. Pena que as qualidades acabem aí. Com suas mais de duas horas, o musical é cansativo ao apelar excessivamente para o uso de músicas para narrar a história.

O roteiro é assinado pelo diretor Bill Condon (Kinsey – Vamos Falar de Sexo), e baseado num musical da Broadway que, por sua vez, é inspirado na trajetória do grupo The Supremes, que teve como líder Diana Ross. Porém, as semelhanças são mais visuais do que temáticas. A cantora e atriz Beyoncé Knowles interpreta Deena Jones, líder de um trio musical, que acaba se destacando e rivalizando com sua companheira Effie White (Jennifer Hudson).

O enredo acompanha alguns anos na vida dessas duas mulheres e as pessoas que as cercam, como o cantor James "Thunder" Early (Eddie Murphy) e o empresário Curtis Taylor, Jr. (Jamie Foxx). A narrativa começa ao embalo do soul dos anos 60, com a ascensão de Deena e decadência de Effie, até chegar nos anos 70, quando uma é famosa mas infeliz, e a outra tenta reencontrar um lugar ao sol, já expulsa do grupo.

Depois de musicais mais criativos, como Moulin Rouge (01), “Dreamgirls” volta à velha fórmula batida em que os atores/cantores páram na frente do microfone e cantam suas músicas. Assim, não há coreografias ou malabarismos típicos de musicais mais criativos como Chicago (02), também adaptado da Broadway, mas que cconseguia prender mais a atenção e não cair na mesmice – e acabou levando o Oscar de Melhor Filme.

Quem realmente se sobressai aqui é Jennifer Hudson, que estréia no cinema depois de ser eliminada no reality show norte-americano American Idol (uma espécie de show de calouros). Ela rouba o filme de Beyoncé, supostamente a estrela do longa. Talvez até porque a personagem Effie tenha mais nuances e uma trajetória mais interessante do que a outra diva.

Depois de 25 anos de sucesso na Broadway, Dreamgirls finalmente chega aos cinemas depois de tantas tentativas. O mais curioso é que, quando lançada nos palcos, a história dessas duas cantoras e da cena soul e dance de Detroit parecia inovadora, cheia de vida e criatividade. Agora nas telas, apenas parecendo teatro filmado.

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