Dreamgirls concorre com três canções originais, direção de arte, figurino, mixagem de som, ator coadjuvante (Eddie Murphy) e atriz coadjuvante (Jennifer Hudson). Todas as indicações são merecidas, pois o que mais há no filme é brilho, glamour, roupas e penteados extravagantes e música. Pena que as qualidades acabem aí. Com suas mais de duas horas, o musical é cansativo ao apelar excessivamente para o uso de músicas para narrar a história.
O roteiro é assinado pelo diretor Bill Condon (Kinsey – Vamos Falar de Sexo), e baseado num musical da Broadway que, por sua vez, é inspirado na trajetória do grupo The Supremes, que teve como líder Diana Ross. Porém, as semelhanças são mais visuais do que temáticas. A cantora e atriz Beyoncé Knowles interpreta Deena Jones, líder de um trio musical, que acaba se destacando e rivalizando com sua companheira Effie White (Jennifer Hudson).
O enredo acompanha alguns anos na vida dessas duas mulheres e as pessoas que as cercam, como o cantor James "Thunder" Early (Eddie Murphy) e o empresário Curtis Taylor, Jr. (Jamie Foxx). A narrativa começa ao embalo do soul dos anos 60, com a ascensão de Deena e decadência de Effie, até chegar nos anos 70, quando uma é famosa mas infeliz, e a outra tenta reencontrar um lugar ao sol, já expulsa do grupo.
Depois de musicais mais criativos, como Moulin Rouge (01), “Dreamgirls” volta à velha fórmula batida em que os atores/cantores páram na frente do microfone e cantam suas músicas. Assim, não há coreografias ou malabarismos típicos de musicais mais criativos como Chicago (02), também adaptado da Broadway, mas que cconseguia prender mais a atenção e não cair na mesmice – e acabou levando o Oscar de Melhor Filme.
Quem realmente se sobressai aqui é Jennifer Hudson, que estréia no cinema depois de ser eliminada no reality show norte-americano American Idol (uma espécie de show de calouros). Ela rouba o filme de Beyoncé, supostamente a estrela do longa. Talvez até porque a personagem Effie tenha mais nuances e uma trajetória mais interessante do que a outra diva.
Depois de 25 anos de sucesso na Broadway, Dreamgirls finalmente chega aos cinemas depois de tantas tentativas. O mais curioso é que, quando lançada nos palcos, a história dessas duas cantoras e da cena soul e dance de Detroit parecia inovadora, cheia de vida e criatividade. Agora nas telas, apenas parecendo teatro filmado.
