25/08/2026
Drama

Meteoro

No início dos anos de 1960, um grupo de homens vai para uma região isolada do nordeste brasileiro construir a rodovia Fortaleza-Brasília. Porém, eles acabam esquecidos pelo governo e ficam isolados do mundo. Com a ajuda de um grupo de prostitutas, montam uma sociedade alternativa, vivendo sem nenhum contato com a civilização. Eles só vão saber do golpe de 1964 quando chega lá um grupo de militares para questioná-los sobre a forma como vivem.

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No começo da década de 1960, um grupo é encarregado de construir uma rodovia entre Brasília e Fortaleza. Porém, o projeto é interrompido quando esses homens encontram um terreno estranho que os impede de continuar o trabalho. Eles ficam presos em seu acampamento, entre o deserto e a caatinga, esperando que o governo tome uma decisão sobre o que devem fazer.

Para passar o tempo, eles contam com visitas periódicas de um grupo de prostitutas comandadas por Madame, interpretada pela atriz cubana Daisy Granados (do clássico cubano de Memórias do Subdesenvolvimento). Alguns dos rapazes começam a sentir algo que vai além do interesse profissional pelas raparigas e surgem até algumas paixões. Como é o caso do topógrafo Aloísio (Lucci Ferreira), que se encanta por Nova (Maria Dulce Saldanha). E Gordo (Leandro Hassum), que se apaixona por outra moça (Paula Burlamaqui), mas não tem a sorte de ser correspondido, pois ela está interessada num alemão (Felipe Kannenberg), operador de rádio.

Depois de fortes chuvas que destroem a estrada, as prostitutas não têm como ir embora. O governo também parece ter se esquecido dos trabalhadores e já não manda mais suprimentos por avião. A comunidade está entregue à própria sorte até que um meteoro cai nas redondezas e da cratera formada começa a jorrar água.

O grupo funda uma sociedade alternativa, que ganha o nome de Meteoro, e vive longe da civilização, sem contato com o mundo, pois nem o rádio funciona mais. Quem assume a liderança é o velho Meireles (Cláudio Marzo), mas não se chega a estabelecer uma forma de governo. Alguns se casam, como Aloísio e Nova, e formam uma família. Essa sociedade isolada se desenvolve numa combinação de anarquia – com apenas algumas regras estabelecidas – e comunismo – no sentido de pensar no bem comum do grupo.

Essa é a parte mais bem desenvolvida de Meteoro. Embora um pouco ingênuo, esse segmento mostra a interação dentro dessas pessoas, que vivem uma utopia num Brasil em plena ditadura, sem ter noção dessa realidade. Porém, não tarda muito para os militares tomarem conhecimento da vila e mandar representantes investigá-la.

A chegada dos militares representa um novo momento para Meteoro. Os moradores nem sabiam do golpe e se surpreendem ao descobrir quem está no poder. Pena que os personagens militares não tenham maior densidade.

Enquanto o filme lida com a fantasia, consegue manter um interesse e desenvolver bem algumas situações – em especial a interação entre os habitantes da vila. Porém, no momento em que a realidade externa entra em cena, não rende tão bem quanto poderia.

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