Para passar o tempo, eles contam com visitas periódicas de um grupo de prostitutas comandadas por Madame, interpretada pela atriz cubana Daisy Granados (do clássico cubano de Memórias do Subdesenvolvimento). Alguns dos rapazes começam a sentir algo que vai além do interesse profissional pelas raparigas e surgem até algumas paixões. Como é o caso do topógrafo Aloísio (Lucci Ferreira), que se encanta por Nova (Maria Dulce Saldanha). E Gordo (Leandro Hassum), que se apaixona por outra moça (Paula Burlamaqui), mas não tem a sorte de ser correspondido, pois ela está interessada num alemão (Felipe Kannenberg), operador de rádio.
Depois de fortes chuvas que destroem a estrada, as prostitutas não têm como ir embora. O governo também parece ter se esquecido dos trabalhadores e já não manda mais suprimentos por avião. A comunidade está entregue à própria sorte até que um meteoro cai nas redondezas e da cratera formada começa a jorrar água.
O grupo funda uma sociedade alternativa, que ganha o nome de Meteoro, e vive longe da civilização, sem contato com o mundo, pois nem o rádio funciona mais. Quem assume a liderança é o velho Meireles (Cláudio Marzo), mas não se chega a estabelecer uma forma de governo. Alguns se casam, como Aloísio e Nova, e formam uma família. Essa sociedade isolada se desenvolve numa combinação de anarquia – com apenas algumas regras estabelecidas – e comunismo – no sentido de pensar no bem comum do grupo.
Essa é a parte mais bem desenvolvida de Meteoro. Embora um pouco ingênuo, esse segmento mostra a interação dentro dessas pessoas, que vivem uma utopia num Brasil em plena ditadura, sem ter noção dessa realidade. Porém, não tarda muito para os militares tomarem conhecimento da vila e mandar representantes investigá-la.
A chegada dos militares representa um novo momento para Meteoro. Os moradores nem sabiam do golpe e se surpreendem ao descobrir quem está no poder. Pena que os personagens militares não tenham maior densidade.
Enquanto o filme lida com a fantasia, consegue manter um interesse e desenvolver bem algumas situações – em especial a interação entre os habitantes da vila. Porém, no momento em que a realidade externa entra em cena, não rende tão bem quanto poderia.
