Os sobreviventes lembram os mortos, que tombaram vítimas de precárias condições de segurança em canteiros de obra – como o sempre citado “28” – e também da violência policial, quando ocorria alguma rebelião. Segundo os depoimentos, esses mortos eram sepultados em valas ou perto mesmo das construções, sem placa, sem contagem. Por isso, até hoje, seu número é incerto.
O filme de Caldas alterna o tom dramático destes testemunhos com uma narrativa poética, desenvolvida pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos (de Eu Tu Eles), paraibano como o diretor. Ele comenta a tragédia dos “candangos”, como se chamam até hoje esses anônimos migrantes que fizeram Brasília (e que dão o nome ao troféu do festival de cinema brasileiro anual da cidade) por meio de trechos de um longo poema, de autoria de João Bosco Bezerra Bonfim.
