Seu trabalho, que começou nos anos de 1980, consistia em ensinar os jovens a tocar música clássica, grande paixão de Mozart. Com o passar dos anos, a idéia se tornou uma ação social bem-sucedida, trazendo reconhecimento ao músico.
Segundo o próprio Mozart, sua fama começou a incomodar os políticos locais, que viram no rapaz uma ameaça política para a região. Assim, ele passou a sofrer uma sistemática perseguição, injusta, que culminou com uma mal-contada acusação de pedofilia, na década de 1990.
O filme de Paulo Thiago explora esses acontecimentos. Com base em pesquisas que consumiram quatro anos, o diretor e roteirista aproveita os elementos de drama e comédia da vida de Mozart. A produção tenta ser fiel aos fatos, sempre seguindo o ponto de vista do músico.
Como não há como saber o que realmente aconteceu e o que foi acrescentado por Thiago, apesar do auxílio de Mozart à produção, algumas questões ficam abertas. Como se procura abranger um período de tempo muito grande, 20 anos, alguns detalhes se perdem pelo caminho, dificultando a compreensão da história.
Outro ponto irregular é a performance do ator Murilo Rosa (de O Segredo), como o músico perseguido. Embora se esforce para criar seu personagem, o resultado mostra-se recorrentemente artificial, a começar pelo sotaque mal-ajambrado. Em entrevista à imprensa, surpreendentemente, o ator chegou a dizer que a importância da pronúncia era menor em sua preparação para o papel.
Filmado inteiramente no Estado de Sergipe, já que Mozart ainda enfrenta problemas em seu estado, o irregular Orquestra dos Meninos pode ser considerado como uma produção menor de Paulo Thiago. Entre acertos e erros, no entanto, a edificante história de Mozart tem elementos para cativar o espectador. Mais do que um filme, trata-se de uma homenagem ao músico.
