Baseado nos textos de Contos Fluminenses, obra que faz parte da primeira fase do escritor, Barbosa roteiriza suas narrativas, escolhendo quatro histórias para contar. Todas elas, novelas em que figuram toda a sorte de interesseiros, oportunistas e dramáticos.
Afinal, nesse período -- Brasil imperial --, Assis mostrava com horror a tentativa de se obter status das formas mais canhestras, como casamentos arranjados ou parasitando um parente idoso.
Se parte da crítica considera apenas medianos os contos desse livro, a adaptação é bem abaixo da média. Como os textos estão repletos do moralismo romântico, na pregação de casos exemplares, as histórias dificilmente escapam de uma mesmice atroz.
Barbosa, nesse sentido, não consegue extrair delas o que poderiam ter de melhor. Mesmo os vilões são pequenos, encurralados em situações ingênuas. Uma má seleção do material, enfim.
No entanto, mais excruciantes do que os finais insossos das histórias são as performances do elenco. Capitaneados pelo humorista Nelson Freitas (do Zorra Total), os atores interpretam desastrosamente diferentes personagens, sem sucesso em qualquer um deles.
Pesa contra ainda a mal formulada e desnecessária intenção do roteirista de dividir a encenação dos contos e da “vida real”. Explica-se: as quatro histórias têm início, quando um leitor encontra o Contos Fluminenses casualmente e começa a ler o texto. O problema, aqui, são os mais descabidos pretextos para fazer os personagens abrirem a publicação.
Como nos contos as ações dos heróis são entrecortadas por explicações do autor, Barbosa viu-se obrigado a criar a figura de um narrador. Para isso, chamou o ator Otávio Augusto, que o faz de forma monocórdica e sonolenta.
Do tudo o que se vê na tela, salva-se apenas a intenção de homenagear um dos maiores escritores brasileiros, no ano do centenário de sua morte. Se estivesse vivo, Machado de Assis estaria sem palavras com esta homenagem.
