No universo fantástico criado pelo desconhecido roteirista David Bourla, o final da II Guerra Mundial foi acompanhado por outra corrida, além da espacial: diversas nações brigaram pela criação do primeiro exército paranormal. A proposta era alterar geneticamente pessoas com algum poder extrasensorial para convertê-las em “soldados psíquicos”.
O argumento tem como base os testes que a KGB, a inteligência militar da Rússia, realizou durante a Guerra Fria - mas que nunca foram provados realmente. Posteriomente, segundo o roteiro, outros países aderiram à prática, em especial os Estados Unidos, que criou um esquadrão especial para o assunto, a Divisão – assim, genérica mesmo.
Será nesse contexto que Nick (Chris Evans, de O Quarteto Fantástico) verá seu pai morrer nas mãos do vilão Henry Carver (Djimon Hounsou, de Diamante de Sangue). Dez anos mais tarde, eles voltam a se enfrentar quando a vidente Cassie (Dakota Fanning, de Guerra dos Mundos) pede a ajuda de Nick para destruir a organização a qual Carver representa.
A tarefa não será fácil. Primeiramente a dupla deverá encontrar Kira (Camilla Belle, de 10.000 AC), que fugiu da sede da Divisão com uma droga capaz de potencializar os poderes psíquicos de quem a toma. A moça não é apenas perseguida pela organização, mas também por uma máfia chinesa que busca o medicamento.
Nesse imbróglio, ainda há a mãe de Cassie, presa por Carver, que interfere na vida dos protagonistas em diversos momentos, mesmo sem nunca aparecer, e a incapacidade de NIck em lidar com seus poderes.
A trama lembra, e muito, as aventuras vividas pelos mais estranhos paranormais de Heróis, cujo criador, Tim Kring, já havia se inspirado nos quadrinhos X-Men. O problema do filme é que se trata, no fim, do mais fraco produto do gênero, com uma história confusa, repetitiva e repleta de erros lógicos graves.
Além disso, as personagens têm poderes limitados e pouco interessantes. A chinesa Pop Girl consegue visualizar intenções de outras pessoas (que elas podem mudar a qualquer minuto), outros dão gritos capazes de ensurdecer pessoas e quebrar vidros. Há também os “farejadores”, que podem, pelo olfato, saber por onde alguém passou.
Algumas cenas chegam a ser curiosas pela incoerência. É possível que um telecinético, que consegue se desvencilhar de algemas e tiros, seja incapaz de abrir o porta-malas de um carro? E personagens que seguem instruções que, pelo texto, deveriam ter esquecido? No universo hipotético de Bourla e McGuigan, tudo é possível.
