Descaminhos segue uma linha de documentários poéticos, mas sem deixar de abordar a realidade. Em certos momentos, seu olhar para o passado e as implicações no presente lembram O Fim do Sem Fim, de Cao Guimarães e Lucas Bambozzi. Cidades e vilarejos definham atravessados por uma linha de trem desativada. As pessoas parecem compartilhar o mesmo destino.
Numa das primeiras imagens, somos ‘engolidos’ pela tela negra, quando o trem entra num túnel. Nesse momento, o filme parece querer desligar o público do mundo real e jogá-lo para outro universo, povoado por personagens inusitados e imagens de beleza.
Para algumas pessoas, pode parecer que Descaminhos privilegia a forma em detrimento do conteúdo – o que não é verdade. As discussões levantadas sobre a passagem do tempo, o preço da modernidade, entre outras coisas, não chegam rapidamente, é verdade. Aos poucos, elas surgem com naturalidade, e, ao final, vemos na tela um Brasil que todos conhecemos, porém nem sempre lembramos.
