24/08/2026
Drama

Veronika Decide Morrer

Veronika é uma jovem de sucesso que, cansada de sua vida, decide se matar. Não consegue e acaba internada numa clínica psiquiátrica, onde fica sabendo ter pouco tempo de vida. Adaptação do romance homônimo de Paulo Coelho.

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Veronika Decide Morrer é a primeira adaptação de uma obra do escritor brasileiro Paulo Coelho a chegar aos cinemas do Brasil. O mesmo livro teve uma versão japonesa que, aparentemente, nunca foi lançada fora de seu país. A versão oficial, enfim, estreia no Brasil, com Sarah Michelle Gellar (a protagonista da série Buffy, a Caça-Vampiros), David Thewlis (Harry Potter e a Ordem da Fênix) e Melissa Leo (Rio Congelado), sob a direção da inglesa Emily Young.

Sarah Michelle é a Veronika do título, uma jovem com um bom emprego, um belo apartamento em Nova York e um grande vazio dentro de si. A depressão é tão grande que ela sucumbe. Ao som da banda Radiohead, ela toma um monte de comprimidos para se matar – mas antes encontra tempo para mandar um e-mail para uma revista de moda, reclamando que eles não entendem nada da última estação.

Dias depois, Veronika acorda numa clínica psiquiátrica, sob os cuidados do Dr. Blake (Thewlis), cuja ética profissional parece estar em terceiro ou quarto plano – bem depois de seus interesses amorosos ou experimentais. O médico diz para a moça que ela não terá muito tempo de vida, pois seu coração foi afetado pela tentativa de suicídio frustrada e não há cura.

Então, Veronika, que tanto queria abandonar este mundo cruel, decide viver. Nesse momento, o longa roteirizado por Larry Gross (Crime Verdadeiro) e Roberta Hanley acompanha o cotidiano da personagem na clínica Villette. Lá ela interage com outros pacientes cheios de problemas emocionais - como a advogada Mari (Melissa), a colega de quarto Claire (Erika Christensen, de Plano de Vôo) e o solitário Edward (Jonathan Tucker, de O Massacre da Serra Elétrica).

Na clínica, Veronika passa a prestar atenção em seus colegas e no médico. Nota, por exemplo, que Mari facilmente manipula Edward, por quem a protagonista começa a sentir alguma afeição. Mais tarde, o médico é procurado por um representante da revista de moda atacada por Veronika – mas, estranhamente, esse episódio não faz sentido algum no filme. Aliás, nem se justifica existir, pois não há outra referência na história depois.

Alguns momentos de Veronika Decide Morrer parecem uma versão zen e maldirigida do drama Garota, Interrompida, com a desvantagem de não ter nenhum personagem ou ator com a energia de Angelina Jolie. Na maior parte do tempo, este drama funciona como um sonífero, tentando lidar com metáforas ou disparando frases risíveis, pretensamente elaboradas, como quando a protagonista diz para o médico que ele “adora brincar com a alma das pessoas”.

Sarah Michelle costuma se sair bem na série de televisão Buffy..., na qual passa a maior parte do tempo perseguindo criaturas estranhas. Aqui, quando poderia mostrar alguma habilidade dramática, ela não convence como a depressiva, nem como uma pessoa que resgatou o prazer de viver.

A diretora Emily Young também se calca em todos os clichês do cinema de arte pensando imprimir alguma seriedade ao filme – mas é em vão. A imagem às vezes perde o foco, a fotografia suave e a música incessante em nada disfarçam a falta de conteúdo cinematográfico.

A filosofia do “acredite em você mesmo” abunda ao longo dos pouco mais de 100 minutos de Veronika Decide Morrer. Frases com a profundidade de um pires parecem querer transformar existencialismo em matéria barata: “O verdadeiro eu é quem você pensa que é, e não aquilo que os outros pensam de você”. Falas desse quilate na tela grande soam um tanto constrangedoras.

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