O Desafio de Jean de La Fontaine coloca no centro da trama o famoso escritor francês, conhecido por suas fábulas, nas quais animais agem e pensam como seres humanos. O longa é dirigido pelo veterano Daniel Vigne, que em 1982 fez O retorno de Martin Guerre e uma década depois foi refilmado nos EUA como Sommersby – O Retorno de um estranho. Já o roteiro é assinado por Jacques Forgeas.
A ação se passa em meados do século XVII, numa França conturbada, mas com certa efervescência cultural, o que permite a ascensão de figuras como os dramaturgos Racine e Molière e o escritor Boileau. Nesse cenário, La Fontaine (Lorànt Deutsch) é o único a bater de frente com o rei Luís XIV (Jocelyn Quivrin), que manda prender seu conselheiro, Fouquet (Nicky Naude).
Muitos artistas tomam o partido do rei e apenas La Fontaine ousa erguer a voz contra o monarca. Com as tentativas para calá-lo, o escritor busca outros meios para manifestar seu descontentamento e divulgar sua arte. Tudo isso enquanto seduz mulheres, mesmo sendo casado. Ele não faz distinções e namora tanto nobres quanto balconistas de tavernas.
La Fontaine desenvolve seu estilo literário – com a criação de fábulas como A Formiga e a Cigarra e A Lebre e a Tartaruga – a partir da observação dos animais. No começo, há um estranhamento na corte, mas ele ganha notoriedade quando o rei passa a admirar sua obra.
Apesar da direção de arte caprichada e das atuações empenhadas, O Desafio de Jean de La Fontaine esbarra em encontrar uma abordagem nova para um assunto muito explorado pelo cinema – o embate entre a arte e a política, em nome da liberdade de expressão.
