Conhecido por seus dramas densos e complexos, Bruno Dumont (Humanidade, A Vida de Jesus) parece, à primeira vista, trilhar um novo caminho em seu novo trabalho, O pecado de Hadewijch. Ao centro, traz uma jovem estudante de teologia que vive numa clausura mas está confusa. Quando a madre superiora pede-lhe para sair do convento e conhecer o mundo, seus questionamentos tomam rumos cada vez mais imprevisíveis.
A estreante Julie Sokolowski é a protagonista, Céline, jovem filha de um ministro francês que poderia levar uma vida de pouco trabalho e muita regalia se assim ela quisesse. Fora do convento, ela terá de conviver com esse mundo que, claramente, não tem nada a ver com ela.
A entrada de um jovem árabe em sua vida, Yassine (Yassine Salime), trará novas descobertas, especialmente quando ela conhece o irmão mais velho dele, Nassir (Karl Sarafidis) que prega atos radicais, e encontra em Céline a inocente perfeita para as seus planos.
Dumont parece não ter medo de andar num campo minado abordando o extremismo religioso e a fé. Ao mesmo tempo em que leva para tela alguns estereótipos – especialmente em se tratando do islamismo – o diretor é certeiro quando mostra que extremismos podem acontecer em qualquer religião.
Mais acessível que em suas obras anteriores, mas sem abrir mão de seu estilo bressoniano, Dumont fez um belo filme que ressoa com força e significância no mundo contemporâneo. O título vem do nome de uma mística cristã medieval, cujo amor por Deus superava todas as coisas. Ao mencionar essa figura histórica no título, o cineasta faz uma ponte entre o passado e o presente, introduzindo um outro elemento, se lembrarmos que a Idade Média foi, às vezes, um período obscuro.
