11/07/2026
Drama

Eu matei a minha mãe

Hubert é adolescente e gay – mas esconde isso de sua mãe. Os dois vivem brigando, especialmente por conta do egocentrismo do rapaz.

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Ganhador de três inexplicáveis prêmios em mostra paralela no Festival de Cannes do ano passado, o drama canadense Eu matei a minha mãe resume-se a um exercício de ego do diretor, roteirista e protagonista Xavier Dolan. Com traços autobiográficos, o longa mostra um adolescente rebelde saindo do armário. Mas ele é dono de um ego tão inflado que se torna incapaz de perceber que existam pessoas ao seu redor – especialmente sua mãe, vivida por Anne Dorval.
 
Filhos de pais divorciados, Hubert (Dolan) vive com a mãe com quem tem uma péssima relação. Não há muita justificativa, apenas a rebeldia e a má vontade de Hubert, que no filme é retratado como o gênio incompreendido, enquanto a mãe é a megera cafona. Ela não sabe que ele é gay e que tem um namorado (François Arnaud), que tem uma mãe perfeita, juvenil, divertida e de bom gosto.
 
O desejo reprimido de Hubert de matar a sua mãe parece crescer proporcionalmente à incapacidade dela de lidar com um filho. Com isso, seguem então cenas da cartilha do rebelde-sem-causa: briga com a mãe, bateção de porta, fuga de casa, a incapacidade de cuidar de sua própria vida de forma adulta – faz parte da geração de rebeldes mimados.
 
Fica claro que há muito de Dolan no personagem, com seu egocentrismo e rebeldia de butique. Enquadramentos estranhos e algumas cenas em preto e branco apenas para ter um ar mais sofisticado para as filosofadas do diretor sobre a maternidade, transformam Eu matei a minha mãe numa sessão chata de terapia. Algumas pessoas procuram um médico para lidar com suas neuroses, outras fazem cinema – nesse caso, podem até resultar bons filmes, mas aqui é pura petulância.
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