15/06/2026
Ficção científica Ação

Tron - O Legado

Um engenheiro de software desaparece misteriosamente. Seu filho cresce órfão e, anos mais tarde, acaba preso dentro do computador de seu pai, onde o reencontra. Juntos terão de lutar contra programas assassinos e voltar para o mundo real.

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Cansado de receber avisos do tipo “esse programa executou uma operação ilegal e será fechado”? Pode se dar por satisfeito que o programa apenas se conclui quando trava, porque no universo do filme Tron – O Legado, os programas de computador exterminam os usuários quando estão revoltados – o que acontece quase sempre.
 
Com um visual retrô-futurista, Tron – O legado, que estreia em cópias convencionais, 3D e IMAX (todas nas versões dubladas e legendadas), é, ao mesmo tempo, um olhar para o futuro, mas com olhos da década de 1980, quando virtualidade real era algo distante, meio onírico e quase inacessível. Hoje, duas décadas depois, o mundo e a tecnologia são outros. Por isso, o filme soa tão antiquado, mas, ainda assim, um tanto divertido.
 
Retomando os temas e personagens de Tron – Uma odisseia eletrônica (1982), o novo longa vale-se de efeitos especiais mais caprichados e sabe ter um público mais adepto desse tipo de extravagância: um videogame de duas horas na tela grande, que atira temas supostamente sérios, supostamente filosóficos, para todos os lados, mas se afoga, paradoxalmente, em sua profundidade de pires. Quando quer ser sério, “Tron – O legado” é chato. Quando quer ser apenas meio ficção científica, meio filme de ação, consegue ser bem divertido.
 
O protagonista é o filho de Kevin Flynn (Jeff Bridges), engenheiro de software que desapareceu há 20 anos. Seu filho, Sam (Garrett Hedlund), tem o controle de sua empresa milionária, mas nunca comparece lá, deixando o controle nas mãos de outras pessoas. O que o atormenta é o desaparecimento do pai. E, quando ele entra – literalmente – dentro do computador de Kevin, o rapaz descobre um mundo diferente e perigoso.
 
Nesse ambiente virtual, os programas ganham forma humana, duelam com pessoas, matam usuários e aspiram a viver no mundo real. Os duelos lembram dois gladiadores combatendo, com direito a público e a morte do perdedor. Sam é jogado direto numa batalha e precisa lutar por sua vida. Discos que humanos e não humanos carregam em suas costas são armas.
 
Ao centro de Tron: O Legado está o sonho secreto do nerd que existe em cada um: viver num mundo dentro do videogame, onde é possível ter poderes. Kevin vivia essa realidade, mas esse seu mundo tão perfeito o aprisionou. Uma criatura que ele inventou chamada Clu – interpretada pelo próprio Bridges, rejuvenescido por efeitos especiais – o trancou dentro de seu computador, onde cada um deles é a personificação do bem e do mal.
 
Clu aspira cada vez mais poder e conta com uma legião que o segue e protege. Kevin prefere meditar na companhia de Quorra (Olivia Wilde) – uma personagem que se revelará importante mais tarde. A Sam restam dois desejos: reconectar-se com o pai desaparecido e voltar para o mundo real. Em tese, esta seria a força dramática da história de Tron – O Legado. Mas se há uma coisa que falta no filme é dramaticidade.
 
Tron – O Legado mais parece um videogame numa tela grande. Ao público cabe o papel de assistir a outras pessoas jogando. Comparativamente, este filme está muito acima do visual e dos efeitos do original, de 28 anos atrás. Não é por acaso que o DVD do filme antigo está esgotado. A Disney, que produziu e distribuiu ambos, parece não querer surpreender aos mais jovens com o visual tosco e os efeitos primários do primeiro filme e assim espantar seu público-alvo.
 
O diretor estreante Joseph Kosinski cumpre com seu papel de criar um filme capaz de estimular o consumo dos produtos que ele vai gerar – como brinquedos, games e qualquer outra parafernália ligada à marca. O visual é apaixonante, embora a trilha sonora do Daft Punk, nem tanto – é incessante e exagerada.
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