10/07/2026
Drama Comédia

O ciúme mora ao lado

Tuula e Juhani estão se separando mas decidem morar juntos até vender a casa. Logo o acordo que tinham é rompido e eles começam uma guerra para fazer ciúme um ao outro.

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País que teria o mais alto índice de divórcios da Europa, a Finlândia é o cenário da comédia O Ciúme Mora ao Lado, em que o diretor Mika Kaurismaki volta às origens. Dividindo-se entre o Brasil, onde filmou documentários musicais como Moro no Brasil e a Finlândia natal, o diretor explora todas as contradições de um casal que decide continuar morando junto enquanto não vende a casa em que mora, apesar de tecnicamente estar separado. E daí surgem todas as intrigas e muito mais, com direito a uma trama envolvendo gângsters e uma mãe perdida e reencontrada.
 
O casal em questão é formado por Tuula (Elina Knihtilä) e Juhani (Hannu-Pekka Björkman). Ele, um terapeuta familiar, ela uma professora. O amor acabou, a paixão, tudo. O respeito também está indo água abaixo. Eles dividem um amplo sobrado, ele morando no andar de baixo, ela no de cima. Chegam a elaborar uma lista de regras de convivência, mas na primeira oportunidade Juhani quebra uma, essencial: não trazer para casa outros parceiros. Na noite em que ele traz uma companhia do bar onde se embebedou, Tuula arma um escândalo e a guerra está declarada.
 
A partir daí, os dois se empenham em mostrar, raivosamente, um ao outro, o quanto estão tendo sucesso amoroso. Tuula lembra-se de um antigo caso, Marco (Ilkka Villi) e rapidamente o convoca para uma visita. Juhani vai além – procura o meio-irmão, Wolffi (Antti Reini), um cafetão, e contrata uma bela prostituta, Nina (Anna Easteden), para vir morar com ele, passando-se por sua noiva.
 
Desconfiando que o imbróglio amoroso não dará conta do filme – no que tem bastante razão – o diretor, escudado por seu corroteirista Sami Keski-Vahala, empenha-se em esticar uma subtrama criminal, que tem a ver com a morte de uma prostituta, o sumiço de um dinheiro e uma gangue que quer reavê-lo. No meio disso, há também a história de uma mãe perdida, um sequestro e muito mais.
 
O acúmulo de detalhes e situações não funciona a contento. Nem bem O Ciúme Mora ao Lado mostra-se satisfatório como comédia de costumes, nem muito menos com a intriga policial e familiar. Falta simpatia aos personagens capaz de gerar alguma empatia por eles. E o filme se prolonga indefinidamente. É duro aguardar o (confuso) fim.
 
O rosto relativamente mais conhecido do elenco é o de Kati Outinen, atriz de O Homem sem Passado, de Aki Kaurismaki, o irmão mais novo, mais talentoso e mais premiado de Mika.
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