10/07/2026
Drama Comédia

Mamute

Serge acabou de se aposentar e precisa arrumar a papelada para receber seu benefício. Enquanto viaja pelo país juntando os documentos, ele visita o seu passado, reencontra amigos e uma sobrinha que não via há anos.

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Poucos atores sabem tirar proveito de sua (falta de) forma atualmente, como o francês Gérard Depardieu. Na comédia dramática Mamute,  ele é a própria figura do título. Embora a referência explícita seja à moto do personagem, é ele, Serge, quem se comporta como um mamute, com seu porte físico avantajado – não por horas de academia, mas por conta do consumo de muito presunto, especialmente da fábrica de onde ele acaba de se aposentar.
 
Dirigido e roteirizado pela dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine, Mamute se apoia no talento de Depardieu para criar um tipo estranho, mas ao mesmo tempo especialmente cativante em sua presença em cena. Serge é sempre um estranho , mesmo em sua casa, ao lado de sua mulher, Catherine (Yolande Moreau, de Gainsbourg – O homem que amava as mulheres). Seu jeito desengonçado serve como uma metáfora para a busca de um lugar no mundo nesse novo momento em sua vida.
 
Ele acaba de se aposentar na fábrica de presunto, mas ainda precisa acertar toda a papelada para receber sua aposentadoria. Ele sai em uma cruzada em busca de seus antigos empregadores, em diversos cantos da França, para conseguir documentos. É sua mulher quem o impulsiona em busca de algum objetivo.
 
Com seu cabelo comprido, sua moto envenenada e sua cara de mau, Serge parece um herdeiro claro da contracultura – ou melhor, um sujeito que até hoje não esqueceu a contracultura. Assim, como não deixou para trás um fantasma do passado, uma figura misteriosa, interpretada por Isabelle Adjani.
 
Em sua jornada, Serge reencontra pessoas e conhece outras novas, como uma interpretada por Anna Mouglalis e um açougueiro de supermercado, interpretado pelo codiretor Kerven. Mas a pessoa mais marcante – tanto para o protagonista quanto para o público – é sua sobrinha Solange, que prefere ser chamada de Miss Ming, que também é o nome da intérprete. Na vida real, para essa jovem poetisa, artista plástica e agora também atriz, o autismo foi a força motriz e a arte, sua libertação. Na pele da personagem mais divertida de “Mamute”, ela rouba a cena do veterano Depardieu. É Miss Ming, aliás, quem o ajuda a reencontrar o gosto pela vida, pelas descobertas e vitórias.
 
A dupla de diretores Kervern e Delépine usa diversos registros para contar visualmente a história de Serge. São opções estéticas que só enriquecem o filme, como as cenas com a luz estourada ou outras, granuladas. Aliada à interpretação sincera de Depardieu, esses recursos fazem de Mamute mais do que um estudo de personagem.
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