Em Submarino, o dinamarquês Thomas Vinterberg volta à temática de seu melhor filme, Festa de Família (1998), para falar de tensões entre membros de uma família disfuncional. Aqui no entanto, a célula está desestruturada e a tensão implode logo nas primeiras cenas. A partir de então, depois de um fato marcante na infância, a vida de Nick e seu irmão caçula, que no filme não tem nome, toma caminhos distintos, mas com pontos de chegada bem parecidos.
Vinterberg, que assina o roteiro em parceria com Tobias Lindholm, a partir de um romance de Jonas T. Bengtsson, traça um retrato da desolação a partir da vida desses dois irmãos. Quando adulto, Nick (Jakob Cedergren) vive num abrigo e luta contra seu grande trauma da infância bebendo cerveja, levantando peso e mantendo uma relação estranha com a vizinha, uma mãe solteira.
O irmão mais novo (Mads Broe Andersen),dependente de drogas, tenta cuidar do filho pequeno, Martin (Gustav Fischer Kjærulff), para não perder a guarda da criança. Tal qual o mais velho, a vida do rapaz não é repleta de opções, tampouco motivações. O trauma da infância não o consome da mesma forma, mas ele acaba sendo o reflexo de sua figura materna, sempre ausente e entregue ao álcool e às drogas.
A vida opressiva e sombria desse grupo de pessoas é levada às telas com uma fotografia (assinada por Charlotte Bruus Christensen) que destaca tons escuros como um reflexo externo da existência interna amarga de cada um dos membros dessa família.
