Ele não é nenhum pokémon nem gremlin - mas tem um enorme poder de destruição. Stitch, o monstrinho deste novo desenho da Disney, não obedece a ninguém e nem quer ouvir falar de boas maneiras. Por essa rebeldia sem causa, ganhou a simpatia das platéias infanto-juvenis - e quem sabe outras - e por muito pouco não venceu a guerra da bilheteria de estréia nos EUA, quase empatando com a ficção científica Minority Report, de Steven Spielberg.
Os diretores e roteiristas - Chris Sanders e Dean DeBlois - são estreantes. Antes, só haviam participado da equipe criadora da história de outro desenho Disney, Mulan. Nem bem decolaram neste primeiro vôo solo, já estão na maior ascensão. Curiosamente, vencem num momento de domínio da animação computadorizada investindo mais no antigo e tradicional - ou seja, no desenho manual, que predomina nos cenários de fundo.
Há outros toques nostálgicos na concepção do próprio Stitch, que lembra os monstrinhos japoneses como se fosse uma miniatura de Godzila, e também na definição de família ideal que existe no coração das irmãs Lilo e Nani: família é nunca abandonar. Essa idéia romântica, na verdade, luta para se estabelecer na vida das duas meninas, órfãs de pai e mãe, com a mais velha, Nani, driblando a luta por um emprego estável e um assistente social que a cada instante ameaça tirar-lhe a guarda de Lilo.
Esse problema de famílias pela metade, em todo caso, é muito moderno. É bom que o filme não se esgote todo nesse eixo dramático, abrindo muito espaço para as aventuras descabeladas de Stitch, monstrinho que foi resultado de uma experiência genética fracassada num planeta distante e foi esperto o bastante para fugir do cativeiro e vir parar no Havaí.
Neste paraíso ideal dos surfistas, Stitch torna-se o bichinho de estimação da pequena Lilo, garotinha de coração doce mas um tanto encrenqueira na escola. Melhor dupla não poderia haver, ainda mais embalada por um último toque saudosista, alguns velhos sucessos do rei do rock, Elvis Presley - de quem Stitch faz impagáveis imitações, na busca de um foco para a sua incontrolável energia.
Cineweb-28/6/2002
