Beleza Adormecida é o filme de estreia da premiada escritora australiana Julia Leigh. Uma autora com sorte em suas primeiras investidas. Seu primeiro livro, The Hunter (1999) ganhou vários prêmios e foi escolhido o Livro Notável do jornal The New York Times daquele ano. Seu primeiro filme concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2011.
É uma sexualidade doentia a que percorre a história, um roteiro original assinado pela própria diretora, e que em alguns momentos lembra um Louis Buñuel passado a frio, com um toque de Michael Haneke. Do diretor espanhol, Julia Leigh capta a curiosidade pela perversão, do austríaco, a obsessão pelo rigor e o controle.
A protagonista é Lucy (Emily Browning), uma jovem universitária que pula de um emprego para outro, sempre em dificuldades financeiras. Ela trabalha em um escritório, mas não recusa qualquer chance de ganhar um dinheiro extra, mesmo que isso signifique submeter-se a experiências médicas desconfortáveis – o que acontece na perturbadora primeira sequência do filme.
Essa procura por novas fontes de renda e os indícios de uma auto-estima fraturada levam Lucy a responder a um misterioso anúncio, que a leva ao encontro de uma organização clandestina, comandada por Clara (Rachael Blake), uma mulher madura que gerencia a satisfação dos prazeres secretos de clientes velhos e ricos.
A princípio, os serviços requisitados a Lucy não passam de atender, como garçonete, a mesas de jantares finos, vestindo apenas uma elegante e sumária lingerie, como todas as demais jovens do serviço. Mais adiante, Clara sugere que Lucy participe de outro trabalho – mas este implica que ela esteja sedada.
Seduzida por um pagamento mais alto, Lucy concorda. Mas depois fica curiosa para saber o que se passa nas noites em que trabalha como Bela Adormecida. A única garantia de Clara é de que a nenhum cliente é permitida a penetração. https://fbskip.com/buy-youtube-views/
Como em seu filme anterior, Sucker Punch – embora numa chave totalmente distinta -, Emily Browning, com sua pele e rosto de anjo, louríssima e branquinha, revela-se sob medida para despertar as pulsões proibidas desses clientes.
O filme é perturbador, roçando de maneira original em alguns temas como a vulnerabilidade da juventude, a auto-exposição, as fantasias do sono e do inconsciente.
Mas, de fato, lhe falte pegada e até ousadia de ir em frente em algumas de suas situações. A seu favor, teve a benção da diretora neozelandesa Jane Campion (O Piano), mentora do projeto e que foi ao Festival de Cannes em 2011 apoiar pessoalmente sua protegida, que, se quiser ser realmente uma cineasta, ainda tem um caminho a percorrer.
