03/07/2026
Infantil Fantasia Aventura

Viagem 2: A Ilha Misteriosa

Para conquistar a amizade do filho de sua namorada, sujeito o leva para uma viagem. Eles acabam encontrando uma ilha misteriosa, onde está o avô do garoto. Julio Verne falou sobre o lugar em um de seus romances, mas todos pensavam que era fantasia. Agora, eles terão de enfrentar perigos e fugir da ilha, que está afundando.

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O nome do escritor francês Júlio Verne, um dos mais famosos autores da literatura fantástica, aparece de vez em quando em Viagem 2: A ilha misteriosa. E embora o filme pegue emprestado alguns elementos do livro homônimo, não há muito de Verne nessa aventura que é lançada em 3D e no formato convencional, ambas em versões dubladas e legendadas.
 
A palavra “viagem” no título é para dar a entender que essa é uma “continuação” de Viagem ao centro da Terra, de 2008. O filme traz o mesmo protagonista, Sean (Josh Hutcherson, de Minhas mães e meu pai), mas o pai do personagem (vivido por Brendan Fraser) não dá as caras, e se comenta, meio de passagem, que ele morreu. Sabe-se lá como. Talvez de vergonha ao ler o roteiro deste filme.
 
Além de a própria Ilha Misteriosa e Vinte mil léguas submarinas, de Verne, também As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson, dão as caras no roteiro confuso de Brian e Mark Gunn. A ideia do filme é explorar uma possível conexão entre as quatro histórias tendo como elo uma ilha perdida no meio do Pacífico.
 
Não deixa de ser curioso ver o fortão Dwayne Jonhnson – em seus tempos de lutador, conhecido apenas como The Rock – decifrar códigos e mistérios mais rápido do que quando derrubava um adversário. A história não tem pé nem cabeça – mas esse é o menor dos problemas. Num filme em que elefantes praticamente cabem no bolso, Michael Caine voa em abelhas gigantes e montanhas são feitas de ouro pedir sentido é um exagero.
 
No fundo da história estão temas queridos do estúdio Disney – embora esta não seja uma produção deles, bem poderia ser – como família, modelos masculinos para garotos órfãos e latinos falando inglês truncado num país pobre, que recebem a caridade dos americanos gentis e de bom coração.
 
Desde que perdeu o pai, Sean (Hutcherson) vive mergulhado no universo da literatura fantástica e tenta um contato com o avô, desaparecido há dois anos. A mãe (Kristin Davis, de Sex and the city) está preocupada, por isso o incentiva a ficar amigo de seu namorado, Hank (Dwayne). Como o menino precisa de um modelo masculino em quem se espelhar, os dois embarcam numa jornada rumo à Ilha misteriosa, onde o avô pode estar. Se é que tal lugar existe.
 
A ilha ficaria no meio do Oceano Pacífico, perto de um país latino e pobre, onde pessoas andam com lagartos nas costas. O único disposto a rolex replicas levar a dupla é Gabato (Luis Guzmán, de Sim, senhor), dono de um helicóptero e pai de uma filha bonitona, Kailani (Vanessa Hudgens, de High School Musical), por quem Sean se apaixona.
 
A história segue os rumos previsíveis. Eles encontram a ilha, o helicóptero quebra e precisam descobrir uma forma de escapar de lá, com ajuda do avô (Michael Caine) que fez do local a sua casa. Ah, a ilha também é Atlantis e em algumas horas irá afundar  – e isso é descoberto por The Rock, só de provar a água local.
 
Tudo seria perdoável se ao menos fosse minimamente divertido – o que Viagem 2 não é. De tudo que há de ruim no longa, porém, nada supera o momento em que The Rock canta “What a wonderful world”. É sério: Júlio Verne e Louis Armstrong poderiam muito bem passar sem essas homenagens.
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