10/07/2026
Drama

Titanic 3D

Criado para ser um assombro técnico e com fama de "inafundável", o navio britânico Titanic bate num iceberg. A bordo, 2.200 passageiros, mas não há botes salva-vidas para todos. Entre eles, estão os amantes Rose, que rompeu um noivado de conveniência, e o jovem Jack.

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Aproveitando a data do centenário do naufrágio, ocorrido na madrugada de 15 de abril de 1912, e a recente febre do 3D, relança-se neste formato o drama romântico Titanic.
 
Um impressionante colecionador de recordes, o diretor canadense James Cameron atingiu, com o filme original, a arrecadação mundial de US$ 1,8 bilhão, a primeira vez que um filme em toda a história do cinema ultrapassou essa marca. Doze anos depois, ele bateu o próprio recorde com Avatar, cuja renda internacional chegou a US$ 2,7 bilhões.
 
O filme é também um dos recordistas do Oscar, vencendo 11 estatuetas em 1997 – um pódio antes só alcançado por Ben-Hur (em 1959) e depois, por O Senhor dos Aneis – o Retorno do Rei (em 2004).
 
Se houvesse tecnologia confiável 15 anos atrás, certamente Cameron teria filmado Titanic em 3D. Como não havia, ele foi obrigado a esperar até Avatar (2009), quando, aí sim, deu vazão às suas ambições visuais mais exacerbadas.
 
Assim, a experiência de revisitar Titanic em 3D não oferece, na verdade, maiores atrativos aos espectadores, embora eles sejam forçados a desembolsar mais pelos ingressos. Algumas sequências, inclusive, aparecem ligeiramente mais escuras do que no original 2D.
 
Por outro lado, o filme não perdeu seus encantos – nem os defeitos. Tanto plateias que o tenham visto na estreia, ou aquelas que só o conheceram no DVD, poderão experienciá-lo agora, em perfeitas condições de entender o que mobilizou seu impressionante sucesso.
 
Em primeiro lugar, uma aliança muito eficaz com o realismo documental, com direito a imagens reais do navio afundado e uma fidelidade obsessiva a cenários, figurinos e muitos personagens verídicos, possível pela consulta a fotografias e a parceria estreita com historiadores.
 
Segundo, o requinte técnico, que levou o orçamento do filme a alcançar polpudos US$ 200 milhões. Uma cifra que se deveu à construção de um novo estúdio, no México, e de um navio em escala real, além da criação de um tanque com capacidade de 70 milhões de galões de água, sem contar o recurso à computação gráfica de última geração. Não se poupou nada para obter a impressionante reconstituição do naufrágio, que ocupa mais de uma hora do filme e dá a medida da enorme tragédia humana, que custou mais de 1.500 vidas nas águas geladas do Atlântico Norte, nas proximidades da Terra Nova, no Canadá.
 
Nada disso funcionaria, no entanto, sem a envolvente trama romântica, que guindou Leonardo DiCaprio e Kate Winslet ao estrelato internacional, interpretando o casal Jack Dawson e Rose Dewitt Bukater. Duas pessoas de origem social distinta, vivendo um romance fadado à tragédia, mas cuja história ressuscita no relato da sobrevivente, a velha Rose (Gloria Stewart, na época com 86 anos).
 
Curiosamente, os protagonistas do romance são alguns dos poucos personagens ficcionais: além de Jack e Rose, também o noivo vilão dela, Caledon Hockley (Billy Zane), e seu malvado guarda-costas, Spicer Lovejoy (David Warner), ambos, aliás, um tanto caricatos em sua maldade.
 
Muitos outros personagens são verídicos, como a sobrevivente milionária Molly Brown (Kathy Bates), o arquiteto do navio, Thomas Andrews (Victor Garber), que desapareceu com ele, e o covarde proprietário do navio, Bruce Ismay (Jonathan Hyde) – que é visto escapando num dos insuficientes botes salva-vidas, onde deveriam ter embarcado apenas mulheres e crianças.
 
Novas versões sobre o que pode ter contribuído para o desastre, como as marés e até miragens noturnas, não param de aparecer. Pelo jeito, a mística do Titanic não vai esgotar-se nestes primeiros cem anos.
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