10/07/2026
Drama

Mistérios de Lisboa

Pedro da Silva é um menino criado por um padre que se acredita órfão. O aparecimento repentino de sua mãe força o padre a revelações de uma trama intrincada, cheia de traições, romances e tragédias.

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Não se deixe assustar pela duração de Mistérios de Lisboa. Suas inspiradas 4h26 valem cada um de seus preciosos minutos. Não é apenas a extensão que dá o aspecto monumental ao filme, idealizado como minissérie para canais de televisão europeus, mas que acabou, felizmente, chegando também aos cinemas.

Falecido em agosto de 2011, o diretor chileno Ruiz deu ares épicos a uma história que teria por natureza cunho intimista. Radicado por muitos anos na França, Ruiz encantava-se pela adaptação de grandes obras literárias, caso de O Tempo Redescoberto, de Marcel Proust. Mistérios de Lisboa, igualmente, baseia-se num romance homônimo do escritor português Camilo Castelo Branco. O roteiro é assinado por Carlos Saboga.

Mistérios de Lisboa centra-se na figura de Pedro da Silva (interpretado por João Arrais, quando criança). Órfão criado por um padre, ele desconhece completamente a identidade de seus pais até que sua mãe (Maria João Bastos) entra em sua vida. A história do garoto é como uma delicada teia repleta de meandros e flashbacks, que conduzem a narrativa.
 
Quando, no começo da segunda parte, um religioso diz “Eu tenho uma história para te contar e ela é longa”, ele não está sozinho. Todos os personagens têm longas histórias para contar e é isso que agrega camadas e mais camadas ao filme. Ruiz e Saboga, no entanto, são engenhosos o bastante para estabelecer um fio condutor, na figura do Padre Dinis (Adriano Luz).
 
Romances proibidos, traições, mortes, promessas, guerra e lágrimas não faltam na trama, cujo quê de folhetinesco é superado pela direção e o visual, com cenários e figurinos de uma beleza que nunca é pomposa.
 
A primeira cena é um teatro ao ar livre. E,durante vários momentos de Mistérios de Lisboa, Pedro brinca com um teatrinho de papelão encenando passagens que são contadas. Pode estar aí uma pista para desvendar o filme. Ruiz parece dizer que talvez a vida não passe de uma encenação, em que as pessoas são protagonistas da própria existência, mas coadjuvantes nas dos outros.
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