Ponto.org, com seu caos orquestrado, tenta captar a fragmentação dos tempos contemporâneos se valendo de linguagens diversas e apostando na imagem – se apoiando no velho paradigma de que uma imagem vale mais que mil palavras. Escrito e dirigido pela mineira radicada em São Paulo Patrícia Moran, o filme usa o Minhocão, no centro da cidade, como cenário principal e metáfora da degradação da sociedade – é um bom ponto de partida que não se concretiza se perdendo em seus excessos de imagens, de personagens vagos e a trama pueril demais para tentar agregar tudo o que a diretora quer dizer.
Barbara (Erika Altimeyer) e Diamantino (o rapper mineiro Flavio Renegado) fazem o roteiro para um videogame desenvolvido por um amigo, e dão a três garotos de rua do centro de SP uma câmera para que eles registrem os moradores e a vida da região. Ao mesmo tempo uma das figuras que moram literalmente debaixo do viaduto, Zilda (Teuda Bara, de O Palhaço), é quem mais chama a atenção, e quanto a irmã desta morre, a jovem tenta uma aproximação para que a mulher aceite o apartamento que ficou de herança e saia das ruas.
Dialogando com videoarte, Ponto.org espalha ideias aqui e ali e as deixa no ar, numa trama que parece tão inconclusa quanto seus momentos desapegados da realidade – como quando há um apagão na cidade, e as pessoas são instruídas a não usar o celular dentro do metrô que está parado (!). Esse começo aliás, com o blackout, indica caminhos que o filme não percorre. As câmeras de celular e segurança espalhadas por todos os lados fazem pensar no mundo das imagens em que vivemos – mas a diretora cai sem sua própria armadilha de criticar esse excesso, calcando seu longa nos excessos imagéticos.
