Em seu primeiro longa como realizadora, a francesa Fanny Ardant (viúva e musa de François Truffaut) adapta um romance de Ismail Kadaré – autor albanês já adaptado por Walter Salles, com Abril Despedaçado – e deixa-se levar pela ambição de diretora de primeiro filme, que parece querer colocar tudo na tela, sem o total domínio da linguagem. Se, por um lado, o desenvolvimento dos personagens é bom na primeira metade do filme, na reta final perde-se o foco, tornando-se, como a narrativa, um emaranhado confuso e raso.
A trama gira em torno de uma viúva (Ronit Elkabetz), que fugiu da Albânia depois do assassinato de seu marido, que volta à terra natal com seus três filhos – dois homens adultos e uma menina – para um casamento na família, que se torna o prenúncio de uma tragédia, envolvendo vendeta e tradições locais .Por conta de um malentendido, um de seus filhos se envolve com uma morte, acendendo o costumeiro direito da família rival se vingar.
Cinzas e Sangue é um filme de grandes dimensões – no sentido de alto número de personagens, cenas de ação – que necessitava de um diretor mais experiente para orquestrar tudo isso numa narrativa coerente. Uma das maiores deficiência do filme é sua montagem. Quando não faltam explicações para certas ações, o longa esbarra no didatismo exagerado.
