19/07/2026
Animação

Contos da Noite 3D

Todas as noites, um rapaz, uma moça e um velho técnico se reúnem em um pequeno cinema. Embora o lugar pareça abandonado, ele é cheio de magia. Os três amigos pesquisam, inventam, desenham e se vestem como diversos personagens e, a cada noite, encenam uma história. Há bruxas e fadas, reis poderosos, lobisomens, belas e cruéis mulheres, catedrais e cabanas de palha, cidades de ouro e florestas escuras. Eles se sentem vivendo uma noite mágica em que tudo é possível.

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Um dos mais criativos diretores de animações do mundo, o francês Michel Ocelot, une o melhor de dois mundos ao realizar em Contos da Noite 3D sua primeira animação em 3D – sem abrir mão de suas habituais técnicas tradicionais de desenho, que partem de inspirações antigas, como o teatro de sombras chinesas, usando silhuetas negras recortadas contra fundos ricamente desenhados, sempre contando com uma expressiva paleta de cores.
 
A rigor, este novo trabalho traz mais do mesmo da obra do refinado diretor, que tem no currículo Kiriku e a Feiticeira (98), Príncipes e Princesas (2000) e As Aventuras de Azur e Asmar (06). Ou seja, alinhava seis contos, ambientados nas mais diferentes partes do mundo, da África ao México, passando pelo Caribe e o Tibete, explorando o prazer de contar histórias de um trio de personagens, formado por um par de jovens atores e um velho técnico, num cinema - situação que, por si, põe em foco a própria arte da encenação.
 
Mais de uma vez, Ocelot admitiu que não faz filmes para crianças, por isso é que elas gostariam deles. Certamente o mesmo acontece com estas histórias banhadas na fantasia dos contos de fada às quais não faltam toques eventualmente dramáticos ou mesmo assustadores.
 
Um dos mais inspiradores é o que abre a narrativa, contando o drama de um lobisomem, que desperta o amor em duas irmãs e protagoniza um relato em que o ciúme de uma delas coloca em perigo a vida do rapaz.
Da mesma maneira, o segundo segmento, Joãozinho e a Bela sem saber, acompanha as arriscadas aventuras de um rapaz pelo País dos Mortos, onde ele passa por uma série de provas, enfrentando animais gigantes e famintos, para poder ter direito à mão de uma princesa.
 
Inspirada na mitologia asteca, A eleita da Cidade de Ouro encena o dilema desencadeado pela chegada de um forasteiro, que mata um monstro a quem se sacrificava uma bela jovem quatro vezes por ano, forçando uma total transformação da cultura local.
 
A temática africana define o Jovem Tam-Tam, retratando um garoto que gosta de tocar tambor e incomoda todos de sua aldeia – até que sua mania salva o guardião do tam-tam mágico e ele, finalmente, o deixa exercer sua vocação, fazendo todo mundo dançar.
 
Vem do Tibete o conto mais comovente, O rapaz que nunca mente, que se estrutura em torno de uma aposta entre dois reis para fazer um jovem super-honesto mentir. A narrativa conta com um cavalo que fala e uma égua que canta e desenrola-se em torno de um grande sacrifício.
Fecha o filme A filha da corça e o filho do arquiteto, sobre uma moça, prisioneira de um feiticeiro, que consegue fugir, sendo por ele transformada numa corça. A partir de então, seu esforço será encontrar uma fada que possa desfazer o feitiço.
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